Paris dia 1: Arco do Triunfo, Tuileries e um desabafo

Enfim começando os posts sobre Paris, essa cidade que 99% do mundo ama, todo mundo indica, brasileiros endinheirados visitam 1, 2, 10 vezes durante a vida e eu não consigo apaixonar (muito #firstworldproblems mas é verdade). Não sei se pelo fato de já ter ido lá algumas vezes a trabalho e sempre ter problemas, ou se por lidar com certos franceses-nariz-empinado com certa freqüência ou pela poeira encrostada de séculos e séculos que parece estar em todo lugar e ninguém se preocupa em limpar..

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Ou se pelo motivo número 1 que reúne todas as pessoas que não gostam de Paris e já virou um super clichê: as pessoas. (Sim, vou ter que reclamar aqui no começo do post e get it out of my system pra depois conseguir escrever mais amavelmente sobre a cidade, quem não quiser ler pule aí uns 7 parágrafos ok?)

O conceito de serviço simplesmente não existe lá. Ou existe, desde que você seja milionário e fique nos melhores hotéis, coma nos restaurantes mais caros e faça compras nas maisons francesas, mas tenho lá minhas dúvidas. O restaurante aleatório que você para pra almoçar? A recepcionista do hotel? O cara do metrô? Não espere simpatia de ninguém – ou melhor, não espere nem uma resposta mais educada pra não ser pego de surpresa.

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Exemplo: quando fomos no super hypado Paris New York provar o hambúrguer e perguntamos se tinha mesa para 2, debaixo da chuva na porta do restaurante, o garçom disse simplesmente “não”. Nada de dizer que sente muito, ou quanto tempo vai demorar até ter, ou perguntar se sentar no terraço coberto estaria ok pra a gente – tinha uma mesa vazia a dois passos -, só aquele completo “não, e também não tô nem aí se vocês resolverem ir embora”.

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Os 3 dias que passamos lá foram repletos de acontecimentos desse tipo e a impressão é que ninguém tá nem aí pra o que você vai pensar ou a sua experiência, porque “isso aqui é Paris e se você não gostar tem mais 30 turistas vindo logo ali e meu salário tá garantido”. Não sei se fiquei mal acostumada porque Londres foi a primeira cidade européia que conheci e aqui mesmo no pub da esquina mais baratinho as pessoas te tratam bem e demonstram interesse, ou se simplesmente demos azar (mentira, essa hipótese eu nem considero, todas as vezes de Nicolas na cidade também foram assim) e sei que não devia comparar.. Mas não tem como. Nenhuma das cidades que já visitei me deixaram com esse gosto de “é legalzinha, mas que bom que vamos embora amanhã” que Paris deixou.

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É ridículo, mas no fim do dia eu me sentia mentalmente exausta e não queria mais ver ou falar com ninguém, sabe como é? A cidade é cara, cara pra caralho, mas o problema é que a experiência nunca condizia com aquilo que estavámos pagando (o nosso hotel ~quatro estrelas~ era uma piada: buracos nos lençóis, barulhento de madrugada, ninguém ajudou a gente com nada do que precisamos e o preço, obviamente, nada barato). Sempre ficava aquela sensação de estar sendo extorquida e ainda por cima tratada com, na melhor das hipóteses, descaso.

E antes que digam que é porque parisienses são orgulhosos com a sua língua e respeitam mais quem não chega falando em inglês: Nicolas é belga, a língua materna dele é francês e foi só assim que ele falou, fomos sorridentes e perguntamos como as pessoas estão e nem por isso nossa experiência foi boa.

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Enfim, poderia continuar escrevendo por parágrafos e mais parágrafos mas é o tipo de coisa que só da pra entender estando lá.. Mas como a cidade é bonita e tem muitas coisas que ainda quero ver/fazer, vamos voltar um dia num futuro beeeeem distante já que é só cruzar o canal. Nesse esquema de passar uns dois dias a cada três anos, o tempo perfeito pra ver umas coisas e voltar feliz da vida (isso NUNCA acontece comigo, não sou dessas que acha que o melhor de viajar é chegar em casa!). Mas se eu morasse no Brasil e tivesse que gastar milhares pra ir a Paris, com tanta coisa maravilhosa pra ver e gente simpática na Europa e no resto do mundo, pardon Parrí, essa teria sido a última vez.

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Agora vamos aos pontos positivos e sem mais reclamação: a cidade é linda! Eu que sou louca por arquitetura não me controlei e meu computador tá cheio de fotos de prédios e ruas normais, onde as pessoas moram e trabalham, de tanto que todos são lindos e parecem saídos de um filme. Eu passei o primeiro dia sozinha e quando finalmente criei coragem pra sair da cama fiquei perambulando pela vizinhança do hotel, andando sem rumo e admirando os prédios.. Mil fotos depois me mandei pro Arco do Triunfo!

Fomos no começo de outubro, a temperatura estava uma delícia e o dia ensolarado – condições perfeitas pra uma caminhada de reconhecimento até onde as pernas aguentarem! Fui descendo a Champs-Élysées e me apaixonando ainda mais pelas janelas, varandas de ferro retorcido, detalhes esculpidos nas fachadas.. E sempre virando pra tirar só mais uma foto do Arco! ahaha

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A essa altura já estava morrendo de fome, era tipo 1 da tarde e saí do hotel sem tomar café, parei no primeiro Brioche Dorée que vi na avenida e praticamente inalei um baguette gigante. Energias repostas, continuei descendo a Champs-Élysées naquela calçada enorme, olhando uma rua lateral aqui, parando pra ver uma vitrine ali, até passar pelo Grand Palais e Petit Palais, tirar mais dezenas de fotos e decidir continuar até o Louvre.

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Foi nessa viagem que descobri que não, eu realmente não nasci para viajar sozinha. Fora o fator óbvio “não tem quem tire a foto”, na minha opinião metade do prazer da viagem é dividir as descobertas, falar sobre, rir das coisas engraçadas pelo caminho, compartilhar o momento.. Pelo menos é assim que funciona pra mim, a não ser que seu companheiro de viagem seja completamente insuportável e estrague a experiência, mas são raras as criaturas que conseguem ser chatas a esse ponto.

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Então passei o dia falando sozinha (não sou extrovertida a ponto de me enfiar num grupo e fazer amizade eheh) e aproveitando pra fazer uma coisa que Nic odeia com todas as forças: parar a cada cinco passos pra tirar foto. De tudo. Dar a volta no local e começar tudo de novo porque o céu abriu e a luz mudou. <3 De vez em quando é motivo até de briga, mas não consigo me controlar e nesse dia deu pra tirar TODAS as fotos que quis sem ninguém me apressando :-)

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Pure bliss! Especialmente na Place de la Concorde, com suas fontes belíssimas e o obelisco gigante!

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E aí cheguei na parte que estava mais ansiosa pra conhecer no dia: Jardin des Tuileries! Um monte de cadeiras ao redor do espelho d’água com turistas e parisienses comendo, lendo um livro ou simplesmente vendo a vida passar.

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Passei um bom tempo no parque tirando fotos, aproveitando que o sol ainda estava no céu e o frio não tinha chegado, pra depois me juntar à fila de turistas entrando na pirâmide de vidro do Louvre. Só saí de lá hoooooras depois, mas o museu é inacreditavelmente gigante e com tantas coisas maravilhosas que seria um pecado colocar tudo no mesmo post.

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E aí a conferência de Nic acabou e nos encontramos nas Tuileries – a essa altura eu estava praticamente tendo ataques e num mau humor do cão com vontade de falar com alguém ahaha! Sou tímida mas sou tagarela e não consigo passar horas calada, ok xD Foi bem na hora daquela luz maravilhosa a minutos do pôr do sol (deu até pra ver um pedacinho da Torre Eiffel!) e aí fomos comer um filé gigante com muuuita batata frita e dauphinoise na Brasserie du Louvre, como manda o figurino quando em Paris.

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