20Sep 2016

Catedral de Winchester: Jane Austen, uma superstição inglesa e um capacete de mergulho

Posted by at 11:45 pm in #OffTo, Inglaterra, Viagens, Winchester

A última atração do nosso passeio de 1 dia em Winchester é a imponente catedral da cidade, uma das maiores da Inglaterra e a catedral gótica mais longa da Europa.

A história da Catedral de Winchester tem suas origens no século VI, quando o papa Gregório I enviou um grupo de monges beneditinos com a missão de converter a Inglaterra ao cristianismo. O então rei de Wessex, Cynegils, foi batizado em 635 e alguns anos depois seu filho ordenou a construção da primeira igreja cristã ali no coração do reino, Winchester.

Essa igreja logo depois foi promovida à catedral, de onde o bispo governava uma diocese gigante que abarcava desde as ilhas do Canal da Mancha até o rio Tâmisa em Londres. A catedral era a igreja mais importante da Inglaterra anglo-saxã e lá foram enterrados alguns reis ilustres como Alfred O Grande e Cnut/Canuto O Grande, e também foi lá onde alguns séculos depois começou a tradição dos corais ingleses que continua forte até os dias de hoje.

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No século X a catedral foi ampliada e recebeu um novo santo padroeiro: os ossos de São Swithun (bispo de Winchester, conselheiro real e, conforme reza a lenda, mentor de Alfred O Grande) foram colocados num relicário dentro da igreja. Nosso guia contou que o tal relicário virou ponto de peregrinação e disse até qual milagre é atribuído a São Swithun – consertar os ovos quebrados de uma senhorinha (!!!) ahaha não deu pra segurar a risada quando ele disse isso, com tanto milagre importante pra fazer como por exemplo parar as guerras daquela época o Swithun vai remendar ovos?! xD

Como se não bastasse os ovos ainda tem outro “mistério” envolvendo o nome do santo. Relatos da época contam que ele fazia questão de ser enterrado no terreno da catedral, perto do povo, e não dentro dela. Daí que quando resolveram mover os ossos pra dentro da igreja no dia do santo, em 15 de julho de 971, começou uma tempestade gigantesca que durou 40 dias e todo mundo acreditou que era Swithun castigando Winchester… Esse episódio deu origem a um mito/profecia que até hoje ainda tem quem acredite: se chover no dia 15 de julho, vai chover por 40 dias e 40 noites!

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Mas a história da antiga catedral meio que acaba por aí… Em 1066 Guilherme I, Duque da Normandia, invadiu o país, matou o rei na batalha de Hastings e alguns meses depois foi coroado rei da Inglaterra. Guilherme nomeou um novo bispo de sua confiança, que por sua vez mandou demolir a catedral e construir um novo prédio no estilo românico normando – foi nessa época que a Bíblia de Winchester foi escrita (falo mais sobre ela depois!).

Os séculos foram passando e a catedral aos poucos foi sendo remodelada: cada novo bispo queria deixar sua marca, então ela ganhou arcos góticos gigantescos no século XIV, capelas laterais super ornamentadas no século XVI etc. Até 1534, quando o rei Henrique VIII rompeu com Roma e confiscou todas as propriedades da igreja católica na Inglaterra.

winchester_catedral1winchester_catedral19winchester_17winchester_20O painel de pedra do século XV é um dos monumentos mais importantes da época

Era o fim do mosteiro, o relicário de São Swithun foi saqueado, o claustro demolido… O catolicismo deu seu último suspiro no país alguns anos depois, quando a filha de Henrique VIII e católica fervorosa Maria I assumiu o trono, casando em 1554 com Filipe II na catedral de Winchester.

Desde então a catedral se manteve relativamente inalterada, passando apenas por restauros no século XIX, recebendo um órgão histórico (ele é a versão reduzida do órgão apresentado na Grande Exposição de 1851 em Londres) e recebendo uma nova moradora ilustre.

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Nascida e criada no condado de Hampshire, Jane Austen se mudou para Winchester em 1817, quando já estava muito doente, com o intuito de ficar perto de um médico famoso e do recém-inaugurado hospital da cidade. Mas dois meses depois, aos 41 anos, Jane morreu e foi enterrada numa pequena cerimônia na catedral – nessa época ela ainda não era conhecida por seus romances, então a lápide destaca apenas suas qualidades e nem menciona os clássicos escritos por ela…

O “erro” só foi consertado em 1870, quando o sobrinho de Jane Austen publicou sua biografia e usou o dinheiro arrecadado para erguer uma placa de bronze destacando seu trabalho como escritora. Nem preciso dizer que hoje em dia a peregrinação pra ver o relicário de São Swithun virou peregrinação pra ver o túmulo de Jane Austen né?!

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Mas como dá pra ver pela overdose de fotos, tem tanta coisa linda, tantas capelas, vitrais, esculturas, e outros detalhes incríveis pra ver na catedral, que é uma parada obrigatória até pra quem não é religioso e nunca leu Jane Austen. Não gosto de dizer que alguma coisa é “atração obrigatória” e você tem que ver se estiver na cidade senão perdeu a viagem, mas nesse caso não tem como!

O ingresso custa £7.95 e a entrada valeria a pena nem que fosse o dobro do preço (por causa do projeto #OffToWinchester nós entramos de graça, mas eu já tinha pago para visitar a catedral ano passado e com certeza voltaria mais vezes). A catedral fica aberta das 9:30 às 17h (seg-sáb) e 12:30 às 15h no domingo, o ingresso é válido para visitas ilimitadas no período de um ano e por £6 a mais você pode subir na torre.

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Para mais fotos e curiosidades, incluindo o motivo desse antigo capacete de mergulho estar dentro da catedral, clique abaixo!

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14Sep 2016

Off To Winchester – 1 dia na antiga capital da Inglaterra

Sim, tem projeto novo na área!! :-) Como se não bastasse ter a ideia de lançarmos um guia colaborativo, há uns 2 meses estávamos bebendo cider e comemorando o verão na casa da Helo quando ela propôs: e se a gente fizesse um projeto para divulgar passeios fora de Londres?! Na hora eu, Karine e Liliana topamos, afinal tem tanta coisa linda na Inglaterra que sair de Londres por um dia e se aventurar por outros lugares deveria estar no roteiro de todo turista.

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As plaquinhas são oferecimento de Karine entediada na madrugada xD

Em poucos dias já tínhamos um nome pro projeto, um destino escolhido e passagens de trem compradas. E assim nasceu #OffToWinchester, o primeiro de muitos passeios pela Inglaterra que serão documentados na nossa hashtag #OffTo!

A ideia é mostrar como é simples explorar o país a partir de Londres, sugerir cidades lindas para você incluir no seu roteiro e dar dicas preciosas do que visitar, onde comer, quanto custa, como chegar… Para isso, sempre que possível vamos contar com o apoio da secretaria de turismo das cidades, como aconteceu em Winchester onde nos disponibilizaram um mini tour guiado pela cidade, ingressos para visitar a catedral e um tour no Great Hall.

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Agora sem mais delongas, assim foi o nosso dia em Winchester:

Saímos da estação de Waterloo pouco depois das 9h, torcendo pro tempo virar e o sol aparecer… Como pensamento positivo nem sempre dá certo, pouco mais de 1h depois chegamos em Winchester e lá também estava chovendo. Tudo bem, vamos provar que a cidade é linda mesmo debaixo de chuva!

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Nos esperando na estação estava nosso guia, David, um expert na história da cidade e parte da equipe do Visit Winchester (tours guiados podem ser agendados direto pelo site deles). Muita gente não acha necessário pagar por um tour, mas em cidades onde a principal atração é a história do lugar eu recomendo demais! A experiência ultrapassa o “que lugar bonito, vou tirar uma foto” e fica muito mais rica quando entendemos o que aconteceu naquele lugar, como ele mudou ao longo dos séculos, quais figuras ilustres passaram por ali, a importância que teve para a história local ou até mesmo mundial…

Começamos nosso mini tour em Peninsula Barracks, onde ficam alguns museus militares como o Gurkha Museum, HorsePower Museum, The Royal Green Jackets Museum e The Royal Hampshire Regiment Museum. Confira no site do Visit Winchester o preço e horário de funcionamento de cada museu.

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Nosso guia disse que a intenção era construir no local um palácio grandioso com o de Versalhes, com jardins trabalhados, fontes, passeios e vistas magníficas. O Rei Charles II contratou Cristopher Wren (o arquiteto responsável pela reconstrução de inúmeros prédios em Londres depois do incêndio de 1666) para projetar a King’s House, que iria se estender até a Catedral de Winchester, mas depois da morte do rei a construção não foi pra frente e um incêndio acabou destruindo o que já estava pronto…

Saindo da praça passamos rapidamente pelo Great Hall (uma atração para mais tarde!) e seguimos em direção ao Westgate, o único dos 5 portões medievais originais da cidade ainda de pé.

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O portão também foi utilizado como prisão (ainda dá para ver as mensagens dos presos gravadas na parede de pedra e no chão), e hoje em dia abriga um pequeno museu com entrada gratuita.

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Se não estiver chovendo, não deixe de subir no terraço pra ter uma vista da rua principal da cidade, a mais antiga high street (rua comercial) da Grã-Bretanha!

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Toda cidadezinha britânica tem uma high street pra chamar de sua. Geralmente é a rua ao redor da qual a cidade cresceu, onde ficavam as lojinhas centenas de anos atrás e onde atualmente se concentram cafés, bancos, comércio, restaurantes, mercados no fim de semana… A rua principal de Winchester é uma fofura, acabamos voltando para um café antes de pegar o trem :-)

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Aliás, Winchester inteira parece saída de um livro de história ilustrado! A capital do condado de Hampshire, no sul da Inglaterra, foi fundada pelo romanos, posteriormente dominada pelos anglo-saxões e quase conquistada pelos vikings. Nessa época a Inglaterra ainda era dividida em quatro reinos independentes, e Wessex (cuja capital era Winchester) era governado por Alfred O Grande. Alfred foi responsável por desenvolver uma estratégia militar que resultou na expulsão dos vikings, e quando eles tentaram novamente atacar Wessex ele conseguiu negociar um acordo com os invasores, dividir a Inglaterra e posteriormente reconquistar Londres, que tinha ficado no território dos vikings.

Não é a toa que Alfred foi o único rei inglês a receber o título de ‘O Grande’ – além de um importante líder militar e político ele também era um estudioso que encorajava a população a aprender a ler, reuniu diferentes conjuntos de leis para criar o Doom Book, e ainda teve um papel essencial no processo de unificação dos reinos que resultou na Inglaterra que conhecemos hoje.

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Depois de Alfred muitos reis passaram pela cidade e muitas outras batalhas marcaram sua história. Winchester foi a capital da Inglaterra até o século XIII e testemunhou tantas reviravoltas que seria impossível contar tudo aqui, incluindo vários períodos sendo assolada pela peste negra, uma guerra civil, séculos de muita prosperidade e também declínio, eternizados na arquitetura da cidade.

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Continuamos nosso tour passando pela frente da Catedral de Winchester, mas como também tínhamos ingresso para entrar mais tarde seguimos direto em direção às ruínas do Wolvesey Castle. Mas não sem antes parar rapidinho em dois lugares pelo caminho: Kingsgate, o antigo portão do palácio real (construído por Guilherme, O Conquistador, para garantir seu domínio depois de invadir a cidade no século XI). A principal atração de Kingsgate é a igrejinha medieval de St Swithun-upon-Kingsgate, que fica bem em cima do portão.

winchester_103 winchester_90A capela é dedicada a São Swithun, antigo bispo de Winchester e santo padroeiro da catedral cidade

…E a poucos metros de Kingsgate fica a casa onde Jane Austen passou seus últimos dias de vida, na College Street. Winchester é um lugar importante para fãs da escritora inglesa porque além de ser onde ela morreu também é onde Jane Austen foi enterrada, dentro da Catedral de Winchester.

winchester_91winchester_140Infelizmente a casa não está aberta para visitação

A última parada do tour foi o Castelo de Wolvesey, ou na verdade o que sobrou dele…

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O castelo foi construído pelo bispo Henrique de Blois, irmão do Rei Stephen/Estêvão e foi a residência oficial dos bispos de Winchester durante a Idade Média. O último evento importante que aconteceu no Wolvesey Castle foi a festa de casamento da Rainha Mary com Philip (Maria I da Inglaterra e Filipe II de Espanha) em 1554, e o castelo acabou sendo destruído durante a guerra civil em 1646… Ao lado das ruínas fica a atual residência do bispo, na parte que restou de um palácio do século XVII.

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Depois de acompanhar mais alguns séculos de história (ouvindo a minha barriga roncando pensando no tal banquete de casamento da rainha), o tour acabou e era a hora do almoço. Fizemos reserva no pub The Wykeham Arms por recomendação da secretaria de turismo de Winchester e de cara já vimos que foi uma ótima escolha!

O pub é um dos mais tradicionais e bonitos que eu já vi, cada ambiente tem uma decoração diferente com um milhão de quadros, canecas, brasões e cacarecos em geral pendurados pelas paredes. Pedi um fish’n’chips delicioso e de sobremesa roubei metade do brownie com sorvete que a Lili pediu – saímos praticamente rolando e felizes da vida, o pub está mais que recomendado :-)

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Assim como em outros pubs tradicionais, no primeiro andar o Wykeham Arms também funciona como pousada

A última parada do post é no Great Hall, o salão principal do Castelo de Winchester e a única parte que sobreviveu à guerra civil. O castelo foi fundado em 1607 por Guilherme, O Conquistador, sendo ampliado e modificado ao longo dos anos por seus habitantes ilustres.

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O castelo abrigava a sede do tesouro público e outros importantes órgãos do governo, e foi apenas no século XIII que o Rei Henrique III, nascido no castelo, mandou construir o Grande Salão. Palco de muitos julgamentos e eventos, hoje o Great Hall é mais conhecido por um objeto ilustre: a suposta Távola Redonda do Rei Arthur.

winchester_44winchester_49winchester_48Rainha Elizabeth II e Rainha Victoria

A verdade é que ninguém sabe se o Rei Arthur realmente existiu, se seus lendários feitos são o conjunto do trabalho de diferentes homens em diferentes partes do reino, e muito menos se, caso existisse, ele realmente tinha uma mesa redonda onde sentava com seus cavaleiros. A famosa Távola Redonda seria inovadora porque não fazia distinção entre cavaleiro nenhum, todos eram igualmente importantes perante o rei.

winchester_115winchester_45Os portões à la Game of Thrones foram instalados para comemorar o casamento de Charles e Diana

Infelizmente a mesa redonda pendurada no Great Hall não é prova de que o Rei Arthur existiu: a madeira data “apenas” do século XVIII, enquanto as histórias do rei são do século VI, e para complicar ainda mais a situação a pintura só é da época do Rei Henrique VIII lá em meados do século XVI.

E uma curiosidade: não satisfeito em ter a suposta távola em casa, Henrique ainda mandou pintar a rosa símbolo da dinastia Tudor no centro da mesa e seu próprio retrato disfarçado de Rei Arthur no topo. Ou seja… Como levar a sério uma criatura dessas né minha gente?! ahahah

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Mas mesmo sem ser a mesa real do Rei Arthur verdadeiro, é muito legal estar frente a frente com um objeto tão simbólico e que aparece em tantas histórias, livros, filmes… Impossível não torcer pra no fundo todo mundo estar errado e a mesa ser de verdade! O Great Hall fica aberto das 10 às 17h e tem entrada gratuita (é sugerida uma doação de £3 por pessoa).

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Terminamos nosso passeio nas margens do rio Itchen, encantadas com o tanto que aprendemos e atrações que visitamos em um único dia. Eu já tinha ido a Winchester ano passado para conhecer o mercado de natal e tinha visto um pouco da cidade, mas ter feito o tour dessa vez fez muita diferença. Espero que eu tenha conseguido transmitir pra vocês um pouco do que essa cidade tão rica tem a oferecer!

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Com trens saindo de Londres a cada 10-15 minutos, passagens relativamente acessíveis (£35 ou bem menos quando comprando em grupo/com antecedência pelo site Trainline) e tanta coisa pra ver, não tem desculpa para não incluir Winchester no seu roteiro pela Inglaterra. Só lembra de depois nos contar o que você achou e postar muitas fotos usando #OffToWinchester ok? :-)

Obrigada ao Visit Winchester e Visit Hampshire pelo apoio nessa primeira etapa do projeto #OffTo. Clique para ver as fotos que postamos em tempo real na hashtag #OffToWinchester e os relatos das minhas companheiras de projeto Helo, Liliana e Karine.

P.S. Mas Thaís, cadê a Catedral de Winchester?! Não, eu não esqueci dela, mas o ponto alto do passeio merece um post à parte!

07Sep 2016

Rio 2016: Vôlei de praia e Michael Phelps!

Posted by at 6:40 pm in Brasil, Rio de Janeiro, Viagens

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A partir do segundo dia aquele céu nublado e sem graça começou lentamente a abrir, bem na hora do nosso segundo evento olímpico: vôlei de praia na Arena de Copacabana!

O ingresso era pra sessão matinal, foram 4 partidas e já começamos bem, assistindo Larissa e Talita ganhar das polonesas ;) Eu fiquei surpresa em ver muitas cadeiras vazias – até entendo que o jogo começava cedo e não era uma fase eliminatória, mas poxa, era jogo do Brasil!

OlimpiadasRio_18Clique para assistir ao vídeo e ler sobre nosso primeiro dia no Rio!

Me perguntaram no snap como estava essa questão da ocupação dos estádios porque na TV mostravam muitas cadeiras vazias, e eu acho que são 3 “problemas” diferentes: 1) Ingressos dos patrocinadores, que convidam personalidades, artistas, gente famosa na internet etc, que muitas vezes só vão ao jogo quando é uma final ou tem um atleta famoso jogando; 2) O sistema da venda de ingressos que nunca dá conta da demanda, muita gente não consegue comprar mesmo que os ingressos estejam sobrando (e não é “coisa de Brasil país de terceiro mundo yada yada yada”, aconteceu o mesmo nas olimpíadas aqui de Londres)…

E o número 3, que eu vi BASTANTE quando estava lá: tem gente que compra ingresso pra um evento de várias horas com 4, 5 partidas diferentes, mas por algum motivo só quer/pode assistir uma ou duas. Então sim, em certos momentos tinha muitas cadeiras vazias, mas não achei tão terrível/vergonhoso quanto o que era mostrado na mídia… Como dá pra ver nas fotos as cadeiras iam enchendo aos poucos, entre uma partida e outra o pessoal que queria ir embora saía, e aí já começavam a interpretar as cadeiras vazias como “a organização do evento fracassou” quando na verdade a culpa é dos loucos que pagam por 4 jogos e só assistem 1 pra postar foto dizendo que foram.

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Mas enfim, voltando ao vôlei de praia! Nic ficava rindo porque eu não conhecia nenhum dos gritos de guerra e musiquinhas que cantavam nos jogos. Aparentemente são as mesmas no mundo todo (??), monster block, here comes the boom e similares – o animador puxava o grito e a platéia toda cantava junto quando tinha bloqueio, um saque mais forte ou troca de lado na quadra. É, dá pra ver que eu entendo muito do mundo dos esportes…

Entre um jogo e outro uma banda ficava tocando, dançarinos animando a torcida, gente fazendo palhaçadas para aparecer na câmera… Um sol absurdo de forte e a vista desse mar azul para deixar tudo ainda mais lindo!

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E a organização era tanta que nos intervalos dava tranquilamente para comprar comida, pegar a fila do banheiro, tirar mil fotos com a bandeira na esperança que uma saísse legal, encher a garrafinha de água… Sem corre-corre e sem perder jogo nenhum, e de quebra a gente fazia exercício no sobe-e-desce das arquibancadas pra fingir que também éramos atletas xD

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(Já que nesse blog the zuera never ends, vai aqui um adendo pra vocês entenderem o nível de organização do Rio 2016: os banheiros eram limpos! Com direito a papel e sabonete líquido!!! ahaha parece piada mas acho que toda brasileira acostumada com shows e carnaval tem horror a banheiro público né?!)

OlimpiadasRio_37OlimpiadasRio_27Pontos negativos das olimpíadas: R$24 por dois picolés Kibon já configura assalto?

Quando os jogos acabaram fomos almoçar no Galeto Sat’s, ali mesmo em Copacabana (rua Barata Ribeiro 7), que era um destaque tanto no guia sobre o Rio que nós compramos quanto no Foursquare. Pão de alho, churrasco,  galeto na brasa e farofa de ovo deliciosos, preço justo, porções enormes, cerveja gelada e, para quem gosta, uma seleção de cachaças de impressionar… Não é a toa que desde os anos 60 o boteco pequenininho vive lotado de cariocas, turistas, e durante as olimpíadas, gringos!

Encontramos uma equipe enorme de jornalistas londrinos por lá, vários idiomas sendo falados, garçons tentando entender na base da mímica, todo mundo animado provando a comida brasileira… Adoramos o Sat’s e deu até vontade de voltar de madrugada pra ver esse famoso point da saideira em todo seu esplendor. E comer mais um galeto, claro :-)

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Depois dessa mini orgia gastronômica tipicamente brasileira aproveitamos para passar a tarde passeando pela orla de Copacabana. Andando na areia, tentando molhar os pés na água (gelaaaada!), vendo o movimento das pessoas, tirando fotos de tudo e, pra variar, sorrindo de orelha a orelha.

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Aliás, eu não sei como vai ser quando finalmente for ao Rio em uma época qualquer. Minha referência de Copacabana é aquela muvuca boa de brasileiro misturado com gringo, gente batucando na rua, vendendo bolas e medalhas, desfilando com bandeiras, cara pintada e fantasia, música tocando… Foi exatamente assim durante a Copa, é uma energia tão boa que dá vontade de sair cantando no meio da rua e com certeza ninguém vai te julgar por isso! ahaha

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As bandeiras viravam peça de roupa, era tanta gente animada e tanta coisa acontecendo no calçadão que eu não sabia nem pra onde olhar. Até sósia de Ronaldinho fazendo embaixadinha (e a gente só rindo quando alguém ficava cochichando achando que “ele era o de verdade”) tinha por lá.

OlimpiadasRio_17Também teve piscina olímpica na fachada do prédio!

Terminamos nosso passeio pela orla na Megastore de Copacabana, e preciso mencionar a única coisa que me deixou com uma impressão negativa dos jogos: como as coisas eram caras! Falei do picolé ali em cima mas todas as comidas eram caras: a coxinha era uma delícia mas custava R$10, a água custava R$8 (pelo menos tinha lugar pra encher sua garrafinha de graça), a micro pizza R$15, o potinho com macarrão R$20…

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E além de pagar caro pela comida fiquei frustrada com o preço das camisetas, bolas, chaveiros, bonés, todos esses cacarecos que a gente quer comprar pra guardar de lembrança ou dar pra quem não pôde ir… Adoramos vários produtos da loja oficial e até acabamos comprando algumas coisas, mas sabe quando estão te passando a perna e nem tentam disfarçar?! Se até quem mora fora estava reclamando (ouvimos vários comentários de estrangeiros na loja), imagina quem ganha em real…

Fica o aviso para quem também quer ir nas próximas olimpíadas (sim, já está no meu calendário mental rs): junte dinheiro! Ou faça como muita gente estava fazendo no Rio: beba dezenas de latinhas de Skol superfaturadas a R$13, você vai ser assaltado na cerveja mas pelo menos guarda os copos de lembrança.

OlimpiadasRio_19Eu queria a bola até ver o preço e sim, ainda quero muito o Lego do Vinicius e do Tom, me julguem

Nessa mesma noite fomos ao Parque Olímpico pela primeira vez para assistir às provas de natação – eu disse que o ritmo foi intenso né?! ahaha Depois de passar a manhã vendo jogo debaixo do sol e a tarde batendo perna pela orla, nossas provas de natação só começavam às 22h!

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Eu acho que só quando entrei no Estádio Aquático Olímpico e vi a equipe da BBC se preparando pra transmissão ao vivo, ali a poucos metros de mim, foi que caiu a ficha que “puts, o mundo inteiro está assistindo isso aqui”. Fiquei olhando pra mulher vestida de rosa ali na sacada (é a ex-nadadora britânica Rebecca Adlington!) e sentindo um misto de felicidade e gratidão imensa por estar assistindo aquilo tudo ali, no meu país, e não do outro lado da TV sabe?! É piegas, não sei se já estava delirando de cansaço (uma opção bem provável…) mas a sensação era que a gente estava no centro do mundo!

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Fechamos a noite assistindo a 7 provas femininas e masculinas, vendo Phelps na piscina e emocionado no topo do pódio, cantando “Vai Thiago” junto com a mãe do Thiago Pereira e fazendo olas que davam voltas no estádio. Chegamos em casa já de madrugada, exaustos porém felizes e eu muito, muito animada pro compromisso do dia seguinte: dormir até tarde \o/

02Sep 2016

Primeiras impressões do Rio 2016

Posted by at 5:32 pm in Brasil, Rio de Janeiro, Viagens

Estar no Brasil para assistir às olimpíadas era um plano nosso desde 2014, quando fomos ao Rio durante a final da Copa do Mundo. Quem acompanha o blog há mais tempo vai lembrar que nos arrependemos amargamente de não ter feito planos para ir à copa, a energia dos eventos pela TV estava tão incrível que fizemos a loucura de ir passar apenas um final de semana prolongado no Rio. Apesar de corrido foi maravilhoso, uma energia surreal e uma das melhores experiências da minha vida, então ali mesmo decidimos que visitar o Rio em 2016 (dessa vez com ingressos em mãos) era nossa prioridade.

Nos programamos, juntamos dinheiro, acompanhamos o preço das passagens por meses e tentamos nossa sorte no sorteio dos ingressos tanto no Brasil quanto pelo site europeu, e 9 de agosto embarcamos rumo à Cidade Maravilhosa. Sim, como dá pra ver na foto Nic se empolgou levemente com o número de ingressos, gastamos mais do que eu gostaria toda vez que me perguntavam o que a gente ia assistir eu me complicava pra lembrar de tudo ahaha (que #firstworldproblems péssimo!)

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Ao todo foram 7 eventos em quatro espaços diferentes: dois dias de vôlei de praia na arena em Copacabana, tênis de mesa no Riocentro, natação e basquete no Parque Olímpico e dois dias de atletismo no Estádio Olímpico (Engenhão).

O plano inicial era passar 8 dias e ter tempo de aproveitar a cidade além do Rio 2016, mas como quando decidimos casar as passagens pro Rio já estavam compradas, não ia sobrar tempo/dinheiro para voltar ao Brasil novamente antes do casamento… Então aproveitamos a viagem para passar em Recife e fazer uma maratona de reuniões com fornecedores – acabou que nosso tempo no Rio foi MUITO corrido, mas se só tinha como ser assim não sou eu quem vai reclamar né? Sou do time “viagem com perrengue é melhor do que ficar em casa” :-)

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Chegamos no Rio quarta pela manhã (olha que amor esse carimbo especial no passaporte!), só fiz tomar banho e deixar as malas no apartamento e já saímos para bater perna. Fomos almoçar e fugir da chuva no Botafogo Praia Shopping, o tempo estava tão horroroso que mal deu pra ver o Pão de Açúcar mas a comida do Botequim Informal valeu a visita.

A gente tinha ouvido falar que o Parque Olímpico era muito longe do centro, as filas para entrar eram gigantescas, a comida estava faltando, um drama tão grande que resolvemos ir com umas 3h de antecedência levando petiscos suficientes para sobreviver a um apocalipse zumbi. Resultado: chegamos lá e praticamente só tinha a gente no Riocentro! ahaha

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Mas de cara já ficamos impressionados com a eficiência do transporte: filas organizadas, sinalização pelo caminho, voluntários dando informações, um ônibus chegando assim que o outro saía, muitas placas indicando como chegar em todos locais de competição… Ir e voltar dos jogos levava tempo por causa da distância (geralmente a gente levava mais de 1h saindo de Copacabana), mas não tem como não parabenizar o transporte público da cidade e sentir aquele orgulho gigante de ver tudo funcionando como reloginho!

Acabamos pegando um Uber pro aeroporto na hora de ir embora por causa do horário, mas todo o resto fizemos de ônibus BRT, metrô e VLT (veículo leve sobre trilhos). Quando eu estava pesquisando como chegar nos estádios levei um susto com o tanto de baldeações, metrôs, ônibus, trens e afins, mas na prática foi bem mais fácil do que parecia. Nossos trajetos foram basicamente esses:

  1. VLT do aeroporto Santos Dumont até a Cinelândia + metrô para Cardeal Arcoverde, onde ficava nosso apartamento (ficamos no mesmo lugar que em 2014 e amamos novamente!)
  2. Metrô de Copacabana até o fim da linha + metrô linha 4 (exclusiva para quem tinha ingresso e o RioCard) + BRT expresso até o Parque Olímpico ou Riocentro
  3. Metrô até a Central do Brasil + trem expresso até o Estádio Olímpico

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Durante os jogos a cidade disponibilizou três tipos especiais do RioCard – 1 dia (R$25), 3 dias (R$70) e 7 dias (R$160) – e todos davam direito a viagens ilimitadas em toda rede de transporte da cidade. Compramos os primeiros no aeroporto mesmo e depois com os vendedores oficiais que ficavam nas zonas mais turísticas ou dentro do metrô (o único problema é que às vezes não aceitavam cartões, então é bom andar com dinheiro).

E ah, vimos várias pessoas reclamando que foram de táxi e pegaram trânsito, tiveram que andar demais por causa das ruas bloqueadas etc etc: desculpa, mas ir a um evento desse porte e achar que o táxi vai parar na porta é muita burrice ingenuidade. Se a gente que chegava pelo transporte público já tinha que andar bastante (principalmente do terminal do BRT até a entrada do Parque Olímpico na Barra), não quero nem imaginar quem inventava de ir de táxi! ahaha Não vale a pena meeeeesmo, RioCard forever!

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Nosso primeiro evento foi tênis de mesa, assistimos à disputa do bronze e à final feminina e de cara já deu pra ver como os atletas só podem ser seres vindos de outro planeta. Em alguns momentos mal dava pra ver a bola e acompanhar o que elas estavam fazendo, a platéia praticamente parava de respirar entre um ponto e outro.

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Na disputa do bronze assistimos Kim Song I (Coréia do Norte) ganhar de Ai Fukuhara (Japão), mesmo com toda torcida contra… Em seguida veio o confronto pela medalha de ouro, que de todo jeito iria para a China: Ding Ning ganhou da também chinesa Li Xiaoxia e foi tão lindo ver o grito emocionado da atleta quando o jogo acabou!

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Logo depois começou a cerimônia de medalhas e é muito louco imaginar o que a campeã deveria estar sentindo quando todo mundo fez silêncio, o hino da China começou a tocar e todos aplaudiram de pé. Assistir a qualquer final, mesmo que não tenha nada a ver com o Brasil é emocionante, vai ser uma frase recorrente nos posts sobre as Olimpíadas mas SE PUDER IR, VÁ!

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Para assistir qualquer esporte, em qualquer país (mas de preferência no Rio, ainda tem muitos ingressos para as Paralimpíadas), apenas vá! :-) E quando for, não esqueça de avisar à sua melhor amiga onde você estará e em qual horário – é sempre bom ter alguém de plantão pra esses momentos de “mãe, tô na TV!” ahahah brigada Rafa!

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Terminamos o dia ridiculamente felizes (dá pra ver que eu tô atacada no vídeo ahaha) e já ansiosos pros outros eventos. Mas vou ser sincera, bem que a câmera podia ter nos mostrado quando eu NÃO estava postando no Instagram e Nic mexendo na bolsa né minha gente?! xD

31Aug 2016

{Vídeo} Olimpíadas no Rio de Janeiro!

Volteeeeiii! :D

Agosto foi um mês bem corrido. Viajei três vezes (ok, uma foi à trabalho então nem conta já que não fiz nada de interessante rs), estou cheia de fotos pra baixar, vídeos pra editar e posts pra fazer. A casa está uma zona, mal tenho roupas limpas e não vou nem entrar no assunto “coisas do casamento que preciso resolver e estou adiando”, mas por um milagre consegui colocar o primeiro vídeo da nossa viagem ao Rio no ar antes que agosto termine. Prioridades né minha gente ahaha da cozinha suja eu cuido depois!

Espero que dê para sentir um pouquinho dessa energia boa que foi vivenciar as olimpíadas no Rio, e em breve volto com os posts!