Lyon (ou quase) ao vivo

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Essa semana embarquei na minha primeira viagem a trabalho sozinha e primeiro voo sozinha em bastante tempo. Tanto tempo que tava até meio desnorteada e tive que ficar checando mentalmente se tava levando o passaporte e se só era isso mesmo que precisava ahaha quem já se viu, dando uma de marinheira de primeira viagem!?

A viagem foi a convite daquela feira que visitamos duas vezes por ano em Paris, e eles estavam testando um novo modelo de conferência pra imprensa: ao invés deles irem pra todos os países divulgar a feira pros jornalistas, trouxeram os jornalistas todos pra Lyon. E por uma sorte do destino minha chefe tava ocupada demais, virou pra mim e perguntou: quer ir? OPA, é pra já! Só depois soube que iria numa noite e voltaria na outra e não ia ter nem 1h sobrando pra ver a cidade, abafa.

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O hotel em Lyon realmente entrou no clima natalino

Mas o que eu realmente adorei foi que visitamos duas empresas francesas – uma tecelagem especializada em seda (os casulos que eles usam vem do Brasil, orgulhinho! hihih) e uma fábrica de nightwear também em seda. Foi incrível, nem o cansaço tirou a graça da visita e apesar de não poder tirar foto porque tudo sendo produzido ainda é segredo, vi coisas que nem minha amnésia absurda vai apagar da memória. Tipo o tecido da Chanel sendo produzido ali na minha frente, à nossa disposição pra tocar e ver o desenho do jacquard de seda se formando milímetro por milímetro. Ou o outro da Hermès, passando por um controle de qualidade absurdamente rígido para garantir nada menos que a perfeição.

Pode até parecer besteira mas não sei como isso aconteceu na minha vida. Como em um ano eu tô desanimada com a faculdade de arquitetura, no outro largo tudo e começo a fazer design de moda em Recife, depois tô morando em Londres e aí do nada me vejo junto com jornalistas das maiores revistas de negócios de moda da Europa, olhando um tecido da Chanel se materializar diante dos meus olhos (!!!)

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Vai um bichinho da seda aí?

É o tipo de coisa que nunca, mesmo nas minhas maiores fantasias loucas de um dia morar em Londres, passou pela minha cabeça.. E me senti tão grata naquele momento! Mesmo sem ganhar um salário justo bom, às vezes me sentindo estagnada e perdida pensando o que fazer da vida, não dá pra não ficar feliz quando coloco tudo na balança.

A visita na confecção de seda também foi maravilhosa, coisas lindas, equipe pequena, empresa legal que investe nos funcionários blá blá blá – mas o que eu lembro mesmo é que perdi de aproveitar um desconto absurdamente gigante porque achei que até a a faixa de um robe ali ainda seria muito caro pra mim.. E quando a moça chegou com a lista dos preços que eles iam fazer pra a gente e eu vi que OMG POSSO COMPRAR UNS TRÊS (a marca é de luxo mas o desconto era insano!), obviamente tudo que era bonito ou do meu tamanho já tinha sido agarrado por outras jornalistas. Vou morrer pensando naquelas camisolas de seda com renda francesa aplicadas a mão (e que agora provavelmente eu só terei numa outra vida), não duvido nada.

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Sim, estou escrevendo o post no meu celular enquanto o avião aterrisa em Londres e ainda com vontade de chorar pensando nas malditas camisolas. Não vou nem dizer qual a marca pra ninguém ver o preço final das ditas cujas e esfregar na minha cara que eu realmente me lasquei. D:

E agora vou pra casa, feliz e morta de fome depois de um dia a base de sanduíches, patês e folhados (the french gonna be french né gente)! Infelizmente não foi dessa vez que deu pra ver alguma coisa de uma nova cidade, mas sem sombra de dúvidas foi bem melhor do que passar o dia no escritório!

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