Retrospectiva 2018

Estou escrevendo esse post em fevereiro, depois de debater há semanas se deveria postar uma retrospectiva ou se era melhor deixar pra lá. O ano já acabou faz tempo, quem me acompanha no Instagram sabe que 2018 foi muito complicado pra mim, achava que não tinha porque ficar pensando nele… Mas aí me lembrei da Thaís mais nova, aquela Thaís que via a vida das pessoas na internet e achava que só ela não estava feliz.

Fiquei pensando em como as redes sociais tem contribuído para aumentar essas comparações e como ver só um lado da moeda pode ser prejudicial para quem está passando por um momento difícil. Será que alguém lê meu blog e se sente mal porque acha que tudo dá certo e todo ano é o ano mais feliz ever? Essa nunca foi a imagem que quis passar, então já que divido os momentos muuuito bons da minha vida achei que também era minha responsabilidade escrever esse post.

A verdade é que dizer que 2018 foi difícil não engloba nem 10% do que foi o ano para mim. Foi o ano que mais sofri, chorei, me estressei, fiquei paralisada de medo e muitas vezes perdi a esperança. Não vou entrar em detalhes (até porque os problemas envolvem outras pessoas) mas tivemos uma série de planos que deram errado, crises de ansiedade, depressão, mudanças inesperadas e uma bola de neve de tristeza que parecia que não ia passar nunca.

Como planejar uma viagem para a Islândia no inverno - Sete Mil Km

Intercalei momentos muito especiais (principalmente viagens e shows que me deixaram muito feliz) com períodos em que não tinha nem vontade de sair da cama. O Instagram passou um tempo abandonado, o canal do YouTube está criando teias de aranha e o blog, que era o meu principal projeto pra 2018, também acabou ficando de lado. Eu não consigo escrever quando estou muito mal e também não sei (e nem quero) ser falsa e postar fingindo que está tudo bem enquanto estou vivendo o pior ano da minha vida.

Eu sempre procuro passar alguma informação útil com os posts aqui no blog e mesmo sem ter chegado à solução de todos os problemas eu queria dizer isso: se também estiver muito difícil pra você, por favor peça ajuda. Seja a um amigo, familiar ou médico – não deixe pra depois, não tenha vergonha de não estar dando conta sozinho, não ache que isso é uma fraqueza… Terapia, remédio e apoio foram essenciais em todos os aspectos da minha vida em 2018 e não sei nem onde estaria se não tivesse um dos três.

E se falar com alguém ainda estiver muito difícil pode me mandar uma DM/email, eu sei que às vezes é bem mais fácil falar com um estranho do que com algum amigo ou parente. O importante é falar com alguém, até porque no fundo estamos todos no mesmo barco. Sim, até aquela menina que posta fotos incríveis no Instagram.

Carnaval em Olinda - Sete Mil Km
Dois Irmãos em Fernando de Noronha

Mas pra não perder o costume da retrospectiva de viagens e também deixar as partes boas do ano registradas, aqui estão as viagens de 2018!

Em janeiro fomos pra Islândia comemorar nosso primeiro aniversário de casamento (tem muitos posts aqui no blog!) e no começo de fevereiro fomos curtir o carnaval no Brasil, com um bônus de alguns dias em Noronha. Em fevereiro também tive uma viagem secreta para Brno, na República Tcheca, e foi mais ou menos depois de voltar pra Londres que tudo começou a dar errado e 2018 foi de 10 a 0 em questão de semanas.

A gente tinha algumas viagens marcadas que acabamos cancelando, então o próximo passeio foi para acompanhar o casamento real em Windsor e a próxima viagem “de verdade” foi no final de maio, para participar de uma conferência em Roterdã. Foi minha primeira vez na Holanda e gostei demais, preciso voltar e conhecer Amsterdam! :)

Brno, República Tcheca - Sete Mil Km
Moinhos em Kinderdijk, Holanda
Casamento na Irlanda
Long Walk durante o casamento real em Windsor

Voltando de lá nos mudamos, moramos em 3 Airbnbs diferentes enquanto esperávamos concluir a compra do nosso apartamento… E deu tudo errado – queriam nos vender gato por lebre e o meme “é uma cilada, Bino” define muito bem aquele momento. Mas junho também teve 3 respiros e não foi só chororô, fui no show do Ed Sheeran e em dois show da Taylor Swift aqui em Londres! :-)

Acabamos vindo morar no apartamento da minha chefe porque ele tinha acabado de ficar vazio e não sabíamos muito bem quais seriam nossos próximos passos. Continuamos nele até hoje e ainda estamos nos acostumando a morar longe do centro… O ponto positivo é ter mais espaço e a companhia da gata da vizinha, que praticamente mora aqui em casa, vive aparecendo no meu Instagram e é a coisa mais fofa desse mundo!

No feriado do final de agosto fui pro casamento de uma amiga na Irlanda e aproveitei pra curtir um pouco mais de Dublin (quando não estava morrendo de ressaca xD). E no final de semana seguinte peguei o trem rumo à Paris pra uma das viagens mais esperadas do ano: show do U2!

Ed Sheeran no palco em Wembley
Taylor Swift em Londres
U2 no palco em Paris

Como praticamente só viajei sozinha em 2018 acabei me abrindo mais para falar com as pessoas, conheci muita gente legal e acabei adiando minha volta pra ficar na casa de duas meninas e tentar encontrar a banda pela cidade. Os planos não deram certo, mas ficou a vontade de ir em mais shows e também tentar vê-las de novo…

No final de setembro aconteceu a outra viagem mega esperada do ano: a primeira edição do #OffTogether, nossa viagem em grupo! Passamos um final de semana prolongado em Nice e foi um dos momentos mais especiais do meu ano, fazia muito tempo que não me sentia feliz desse jeito. Em outubro fui para uma conferência na Itália e consegui uma horinha livre pra ver o Lago Como e também passear um pouco em Milão. A essa altura eu já tinha conseguido comprar mais ingressos pra ver o U2 em Dublin e Belfast e descoberto que a amiga de umas das meninas que conheci em Paris também estaria lá, então acabamos combinando uma road trip juntas.

Grupo em frente ao letreiro "I Love Nice"
Foto com o Adam Clayton (U2) em Belfast
U2 no palco em Belfast, Irlanda do Norte
Kylemore Abbey, Irlanda do Norte

Passei quase 3 semanas viajando e acabei indo no show de Belfast e em dois shows em Dublin, encontrei com Bono, Edge e Adam pessoalmente (Adam até me reconheceu do palco e claro que quase morri! haha), vi lugares belíssimos na Irlanda, fiz minha primeira tatuagem, me apaixonei de vez pelo país… Foi uma viagem de extremos – realizei sonhos, sorri muito e me diverti com as meninas, mas também chorei de tristeza e um medo paralisante até não ter mais lágrima pra chorar.

No final de novembro fui passar uma noite em Paris à trabalho para o lançamento de uma coleção de lingerie, no começo de dezembro fomos pra Bélgica visitar a família do marido e aí acabaram as viagens do ano… Ou teriam acabado, se Nic não tivesse sugerido comprar uma passagem pro Brasil e ir passar o Natal lá de última hora. Ele tinha muitos dias de férias sobrando e eu estaria de recesso, achamos uma passagem com preço ok pra manhã seguinte (!!!) e fomos encerrar o ano perto da família, renovando as energias e tendo mais apoio.

Nem sei se ele imaginava como esses dias no Brasil iam ajudar, se foi coincidência dos remédios fazendo efeito ou se foi o carinho da família, mas as coisas começaram a melhorar bem mais rápido desde que fomos pra lá. Voltar pra Londres não foi tão solitário quanto eu achei que seria e, apesar de estar esperando pra ver o rumo que a nossa vida vai tomar em 2019, o futuro vai aos poucos se mostrando mais promissor.

The Dark Hedges no amanhecer
Piscina em Porto de Galinhas

Então pra 2019 eu só peço uma coisa: paciência. Pra esperar as mudanças virarem parte da rotina, pra lidar com sentimentos e puxadas de tapete que a vida dá, pra continuar calma mesmo quando não consigo enxergar a saída… Os anos tem me mostrado que ela continua lá, é só a gente que às vezes não vê.

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