Casando em Gibraltar

Antes de mais nada preciso agradecer a todo mundo que nos desejou felicidades! Comentando aqui no blog, pelo Instagram, por email, pelo Snapchat… Foi tanto amor e tantas boas energias que ficamos bobos – mil vezes obrigada! :-) E como prometi no snap, aqui vai o post-resposta da pergunta que mais ouvimos: mas por que vocês foram casar em Gibraltar? (Aviso: pegue uma xícara de chá e alguma coisa pra comer que o post vai ser longo ahaha)

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Engraçado que na verdade nem eu nem Nic estávamos muito preocupados com essa parte legal do casamento (que é bem mais importante que uma festa né, convenhamos eheheh). Já moramos juntos, desde que começamos a namorar já nos sentimos comprometidos pra vida toda, e também estamos tão empenhados com o casamento no Brasil que não queríamos tirar o foco do dia…

O plano era assinar os papéis no cartório do nosso bairro, naquela cerimônia simples com outros casais, sair pra almoçar/jantar e voltar pra casa – sem fotógrafo oficial, sem convidados e definitivamente sem gastar muito dinheiro. Somos solteiros, moramos juntos e queremos nos casar: na minha cabeça seria tipo dar entrada na segunda e na sexta sair do trabalho mais cedo pra casar ahaha

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Aí teve toda aquela burrice do visto que ia vencer, não vi sentido nenhum em gastar mil libras pra renovar o visto do trabalho se a gente já estava para casar e só então nos mexemos pra ver o que era preciso para casar em Londres. Resumo da ópera: fomos atrás de agendar o casamento no cartório e descobrimos que o processo todo ia demorar uns 3 meses.

Tem que dar um notice pra publicarem o casamento no mural do cartório (e esperar algumas semanas, será que é pra ver se aparece alguém “que sabe de algum motivo pelo qual o casal não pode casar etc etc fale agora ou cale-se para sempre”?), aparentemente entrevistam o casal separadamente quando o casamento envolve um estrangeiro (precisa provar que a relação é genuína), você fica sem respostas por semanas e não sabe qual departamento procurar… Ouvi umas histórias de burocracia nível Brasil, cada vez mais ia dando angústia só de pensar naquele processo todo, e convenhamos que, com um visto vencendo, burocracia extra era tudo o que eu não precisava. Pra completar em Westminster, onde a gente se casaria, o notice period para estrangeiros pode chegar a 71 dias.

casamentocivil4Pediram pra ver o vestido (da Anthropologie!) então aqui vai um ~look do dia~ xD

Como sou brasileira e deixo as coisas pra última hora e me lasco depois não desisto nunca, comecei a procurar lugares onde a gente poderia casar sem ter que dar o notice com meses e meses de antecedência. Aparentemente tanto na Suécia quanto na Dinamarca o processo é bem simples, mas quando o senhor Google me sugeriu Gibraltar praticamente ouvi trombetas, não tinha nem mais o que pesquisar! ahaha :-)

Além de ser um território do Reino Unido (o que de cara já simplifica tudo porque não ia precisar traduzir certidão de casamento, registrar com autoridades britânicas ou sei lá mais o quê), o pessoal do cartório é super eficiente e respondeu todas minhas dúvidas, as passagens pra lá eram baratas, achamos um lugar para fazer a cerimônia com poucos dias de antecedência… E a parte oficial da coisa foi tão descomplicada que nem parecia que eu estava lidando com um órgão do governo! Eficiência mil!

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Para casar em Gibraltar não é necessário morar lá nem ter nenhum tipo de visto especial: se você pode entrar no território como turista, você pode casar lá. A imigração funciona como no Reino Unido (europeus transitam livremente e brasileiros podem passar 6 meses), então nós só precisamos fazer 5 coisas: mandar cópias da certidão de nascimento (a minha com uma tradução juramentada para o inglês), pagar a taxa, escolher um local pro casamento (não tinha vaga no cartório), dormir pelo menos 1 noite no país e visitar o cartório pessoalmente até um dia antes do casamento (pra mostrar os documentos originais e preencher uns papéis).

Gibraltar encaixou mais ainda nos nossos planos porque tínhamos uma viagem marcada pra Ibiza no começo de maio. Só precisamos esticar as férias por dois dias, trocar a passagem de volta (a Ryanair não voa pra lá, então voamos para Málaga domingo e de lá pegamos um ônibus até a fronteira) e pronto! Passamos duas noites na cidade, casamos na terça e no mesmo dia voltamos pra Londres. Saiu mais barato do que renovar meu visto do trabalho, o nível de perrengue foi quase zero e de quebra conhecemos um lugar lindo :-)

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Agora que já expliquei o porquê, vou falar da cerimônia. Ah, a cerimônia… Nós dois achávamos que ia ser bem tranquilo, mas não tem como não se emocionar né? Quando a hora foi chegando eu fui ficando nervosa e começando a rir do nada, falar umas coisas loucas e nossa, estava a ponto de dar pulinhos e gritar YAAAAAY no meio do restaurante! #alocka

Acabamos escolhendo o The Waterfront dentre as opções de locais aprovados pelo cartório, e foi puramente por causa do preço (#sinceridades ahaha). Mandei email pra todos da lista e enquanto algumas salas em hotéis ou espaço num jardim iam custar £200-£500, não pagamos nada para casar no restaurante além do nosso almoço. E olha que tivemos uma sala só pra gente, o restaurante fica num local muito fofo bem de frente pra marina e a comida é deliciosa!

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A cada prato eu ia ficando mais nervosa/empolgada porque estava quase na hora, quando o garçom tirou os pratos da sobremesa e começaram a preparar a sala pro casamento eu achei que ia morrer. Mentira, achei que ia morrer quando o juiz chegou! ahaha

Ele deu uma última conferida nos nossos passaportes/certidões, aprendeu a pronúncia correta dos nossos nomes, perguntou como a gente chamava um ao outro, se tínhamos alianças, se conversamos sobre mudança de sobrenome, quem seriam as testemunhas, se iríamos incluir o nome dos nossos pais no livro de registro… Tudo isso de um jeito tão feliz, sem apressar nada e realmente comemorando junto com a gente, sabe? Com certeza ele já fez centenas de casamentos mas nem por isso agiu como se fosse apenas um dia qualquer de trabalho – afinal aquele era o NOSSO casamento!

O juiz também explicou detalhadamente como seria a cerimônia: primeiro vou falar isso, depois vou pedir que você repita tal coisa olhando pra mim, aí você repete isso olhando pra ela, ela vai jurar isso olhando pra mim, ela vai falar tal coisa pra você, o noivo pega a mão da noiva, a noiva tem que deixar a mão assim, só coloque o anel até a metade do dedo, fale isso e termine de colocar o anel etc… Depois que ele viu minha cara, começou a rir e disse que tudo bem se a gente não lembrar de nada ahaha

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E aí chegou a hora :-) As testemunhas entraram (nosso garçom e o gerente do restaurante!), apertei o REC na câmera, ficamos de frente pro juiz (e pros barquinhos na marina) e casamos!

O juiz falou sobre o casamento na lei de Gibraltar, a importância do compromisso eterno que estávamos firmando um com o outro, e de alguma forma conseguiu colocar muita emoção numa cerimônia que eu tinha certeza que seria simples. Nós dois repetimos os juramentos olhando pra ele (dizendo que não havia motivo pelo qual não pudéssemos nos casar etc), e quando eu menos esperava chegou a hora de Nic falar, com uma voz embargada, a coisa mais emocionante que já ouvi até hoje.

“I call upon these persons here present to witness that I, Nicolas, do take thee, Thaís, to be my lawful wedded wife.” Dá um frio na barriga só de lembrar, não sei como não chorei na hora!

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“And with those words now said I can pronounce you husband and wife. I invite you to kiss the bride!”

Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa empolgada por natureza. Óbvio que quando ouvi o juiz falar isso a minha reação só podia ser: fazer uma dancinha com um gritinho de weeeeeee, abrir um sorriso maníaco antes do beijo e depois cair na gargalhada porque Nic ficou todo borrado do meu batom! ahahah foi muito hilário, o juiz caiu na gargalhada e até deu um lenço pro coitado se limpar, mas nas últimos fotos digamos que dá pra ver que o beijo já aconteceu :-)

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Depois trocamos as alianças, o juiz dirigiu umas fotos das nossas mãos juntas, sentamos pra assinar o livro de registro, as testemunhas assinaram… Mais uma sequência de “coloca tua mão no ombro dela, olha pra cá, vira um pouco de lado, mostra o livro” minuciosamente dirigidas pelo juiz mais moderno ever ahahah! Desejos de felicidade e de uma vida maravilhosa, apertos de mão e pronto, era o começo do resto das nossas vidas!

Analisando agora a única coisa que eu mudaria seria casar primeiro pra almoçar/jantar depois, mas nosso voo já decolava tipo 3h depois do casamento… Sair direto do restaurante pro aeroporto cortou um pouco o clima da comemoração, fizemos tudo com uma precisão levemente militar ahahah casamento: check! Beijinhos e dancinha da felicidade: check! Fotos: check! Pagar a conta: check! Táxi pro aeroporto: check! Foto express no rochedo de Gibraltar antes de embarcar: check!

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Mas mesmo assim foi mais gostoso do que nós esperávamos! Deu muita vontade de adiantar o calendário até janeiro, e fiquei pensando como foi uma decisão acertada fazer uma festa de casamento com tudo que temos direito… Se a gente só casasse no civil com certeza rolaria um arrependimento, ficou um super gostinho de quero mais. E não consigo nem imaginar como vai ser quando tudo isso acontecer na frente das nossas famílias e melhores amigos!

P.S. pra completar a série “males que vem para bem” – toda trapalhada do visto ainda nos deu um presente extra. Podemos dizer que casamos no mesmo lugar que John Lennon e Yoko Ono! ahahah mas já falei a Nic que as semelhanças vão parar por aqui, eu quero que ele tenha uma vida beeeeeem longa sendo borrado pelos meus batons vermelhos :-)

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