Cais do Sertão: um museu que promete em Recife!

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Mesmo sendo a maior cidade do nordeste e tendo uma cultura riquíssima, na minha opiniao Recife ainda é uma cidade sem muitos museus de peso. Claro que temos o Instituto Ricardo Brennand, Museu do Homem do Nordeste, antiga casa de fulano e cicrano, sinagogas etc etc etc mas sempre que visitei tive a impressão de que faltava algo mais brasileiro, mais nossa-história-de-verdade no acervo deles, que na maior parte das vezes foca no lado europeu.

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Quadros de mil pintores holandeses, altares cheios de detalhes feitos por esse ou aquele artesão português/espanhol, coleção de facas de prata trazidas da Europa e esse tipo de coisa. Ou, quando é um museu dedicado à cultura brasileira, está em péssimo estado de conservação.. Até que visitei o Cais do Sertão mês passado e saí de lá encantada!

Quer dizer, saímos, porque todo mundo aprendeu, se divertiu e principalmente ENTENDEU o que estava acontecendo.. Viajar com meus sogros tem esse problema porque eles só falam francês, então dependem de Nic o tempo inteiro pra explicar as coisas, o que convenhamos é um pé no saco num museu.

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Mas a organização do Cais do Sertão está de parabéns, porque fomos acompanhados o tempo todo por uma guia fluente em francês (também tinha guias falando inglês e espanhol, mas achei exótico ter francês – nunca vi por exemplo um cardápio em francês lá no nordeste), super simpática e paciente com nossas perguntas.

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O Cais do Sertão, como o nome já deixa bem claro, retrata as peculiaridades do sertão nordestino: a influência do Rio São Francisco, a cultura do sertanejo, os ritmos da região (o museu é dedicado ao rei do baião, Luiz Gonzaga!), instrumentos inventados por lá, a religião e seu impacto na vida das pessoas, o modo de viver, de trabalhar, enfim, tudo o que diz respeito à vida e cultura do sertanejo.

E tudo isso por meio de instalações, painéis, projeções, jogos e cenários completamente interativos e autênticos, misturando o velho com o novo, o barro com o touch screen.

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Luiz Gonzaga é o maior homenageado do museu, que inicialmente seria totalmente dedicado a ele, mas as pesquisas e preparativos foram crescendo tanto que a equipe de curadores viu que seria impossível falar de Luiz Gonzaga sem falar do sertão. Mas mantendo-se fiel à ideia original, O Cais do Sertão também exibe a obra completa de Luiz Gonzaga, vários instrumentos, roupas e outros objetos raros que pertenciam a ele e ao seu pai.

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Também são exibidos vídeos mostrando o dia-a-dia no sertão, cantores apresentando diferentes interpretações para Asa Branca, e pra aumentar ainda mais a interatividade tem até uma salinha onde dá pra aprender a tocar sanfona, triângulo, agabê e vários outros instrumentos que não sei nem o nome! rs Claro que os guias ajudam e ensinam o ritmo, porque senão só ia sair barulho ahahah. Tudo isso num armazém gigante restaurado no Recife Antigo, a poucos metros do Marco Zero.

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Breve explicação da foto: o menino tem que subir para merecer o amor da menina – e reza a lenda que se ela tocar no pau de sebo, vai engravidar. Sim, os sogros mandaram a gente tocar, mas não, não vão ganhar netinhos agora ahahah

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O museu foi inaugurado em abril e ainda está em construção (por isso o “promete” no titulo do post rs) – quando todas as alas estiverem prontas, será o maior museu da América Latina #orgulho

Mas o *pouco* que já dá pra ver, é maravilhoso e não faz feio se comparado a nenhum museu da Europa. Gostei bastante de ter levado a família gringa e Nic pra conhecer um pouco mais da história que de certa forma também é a minha, e aprender sobre uma região que influencia TANTO a nossa cultura.

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E pouco a pouco o mundo vai aprendendo que o Brasil tem muito mais cultura e muito mais a oferecer do que futebol, carnaval, bossa nova e MPB!

Cais do Sertão
Av. Alfredo Lisboa, Recife/PE
Funciona todos os dias (R$ 8), exceto na segunda, e na terça a entrada é franca.

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