Open House London

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Tenho até vergonha de admitir que, mesmo morando numa cidade que nunca para, alguns finais de semana chegam e passam sem que eu bote os pés pra fora de casa (sim, nem pra ir na esquina comprar pão!).

Mas não é tipo um dolce far niente feliz aproveitando a casa não, é um misto de indecisão porque não sei escolher o que fazer dentre as tantas opções + a casa bagunçada que parece gritar “fique aqui e dê um jeito nisso mocinha” (que eu obviamente não consigo arrumar porque fico pensando como seria melhor sair e já que tô muito cansada, vou ali tirar mais um cochilinho) + a ilusão de que se eu ficasse em casa faria comida pra levar pro trabalho e economizaria dinheiro, mas de alguma forma isso também acaba num cochilo + a culpa por estar perdendo o final de semana tão esperado me ocupando de todas essas dúvidas existenciais + deprimida porque ja é sábado a noite e não tirei o pijama e nem no blog postei + chega domingo e começa tudo de novo.

Agora que tô lendo esse parágrafo percebo como tenho probleminhas na cabeça mas enfim, é a mais pura verdade que em alguns finais de semana eu coloco minha pantufa na sexta à tarde e só tiro na segunda pela manhã. Quero diminuir as ocasiões em que isso acontece, mas aqui é vida real então admito que eles existem e são algo que eu odeio. Foi mais ou menos o que aconteceu no final de semana retrasado, o que resultou numa loucura na segunda e PÁ, fui lá e cortei a franja, mas nesse último final de semana a coisa não podia ter sido mais diferente.

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Franja rebelde e um dia nublado daqueles!

Londres estava ainda mais tomada de programas legais pra te tirar de casa por causa do Open House London, um evento anual que abre as portas de inúmeros edifícios conhecidos (ou não!) pela cidade. Se tem uma coisa que eu admiro na Europa é o interesse das pessoas em programas culturais – peças, concertos, exposições, em qualquer época do ano todas essas atrações estarão tomadas por turistas, mas também pelos locais. E o Open House é mais um desses eventos imperdoáveis no calendário da cidade, que convida todo mundo a parar um pouco e simplesmente apreciar a arquitetura.

A iniciativa parte do princípio que nada substitui a experiência em primeira mão. Nem foto, nem vídeo, nem páginas e mais páginas de um livro de história vão te dar a sensação que o espaco proporciona, e é somente por meio dela e do aprendizado adquirido com ela que o publico pode se engajar e fazer parte da construção do espaco urbano. Afinal, se a cidade é de todos, todos devem ter acesso a ela e saber de seus segredos, curiosidades e história.

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Então centenas de edifícios, monumentos e até canteiros de obra como o Crossrail abrem as portas para um público que em sua grande maioria nunca poderia visitar o local. Muitos deles estão entre as construções mais antigas de Londres, outros sao empresariais famosos e modernos da City que só são utilizados por quem trabalha lá, alguns são templos e capelas que são utilizados estritamente para adoração e não abrem para visitas..

E o sucesso é tanto que o evento vem acontecendo em Londres todo ano desde 1992, sempre em um final de semana de Setembro, e inclusive já expandiu pra New York, Barcelona, Melbourne, Roma, Buenos Aires e muitas outras cidades!

A maioria dos locais participantes funciona no esquema “chegue e fique na fila” (dizem que os prédios mais concorridos tem filas de tipo 2, 3 horas!), mas alguns só permitem a visita com um tour fechado, então eles disponibilizam ingressos gratuitos. Que obviamente esgotam na velocidade da luz, como tudo o que é bom em Londres. Ano passado perdi o Open House porque estava num desses finais de semana deprimentes de semi-hibernação, mas esse ano me programei e estava acompanhando o site há meses para garantir uns ingressos assim que eles fossem pro ar.

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Não consegui todos que queria e nem fui contemplada por uns que eram resultado de sorteio, como a residência do Primeiro Ministro, mas garanti entrada em outros e conseguimos visitar o Lambeth Palace, The Queen’s Chapel, Marlborough House e o Methodist Central Hall Westminster. E que venham mais anos de Open House, e muitos e muitos finais de semana ocupados!

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