Colônia – Köln

Se alguém achava que eu ia começar os 3628491 posts acumulados pela viagem pra Colômbia, sinto desapontar.. Estou ficando louca com o tanto que coisa que não escrevi aqui (mesmo sendo meu hobby, eu levo o blog a sério e fico culpada afff ahahahah) então vou tentando manter uma ordem cronológica antes que tudo se embaralhe ainda mais e Tico e Teco desistam de vez. Começando pela viagem muuuuuito especial que vai ficar pra sempre na memória como ~a viagem dos 10 países~ ou também a viagem que era pra ser maravilhosa mas deu merda e todo mundo adoeceu e quase chorei no aeroporto. Mas vamos por partes!

O que fazer em Colônia, Alemanha

O que fazer em Colônia, Alemanha

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Colônia é a maior cidade do oeste da Alemanha, mas confesso que a viagem em dezembro foi totalmente focada em visitar os mercados de natal da cidade, pra desespero de Nic (que não gosta nem da Alemanha nem taaaanto assim de mercados de natal), então procurei balancear o nosso final de semana pra incluir umas andanças não-natalinas no meio do caminho. Chegamos na sexta à noite e começamos o sábado tomando café perto do hotel, e nossa intenção era ir andando até as margens do Reno pra ver o Museu do Chocolate (cof cof, o mercado de natal na frente dele)..

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Lá vamos nós com nosso mapinha, mas devem ter colocado alguma substancia ilegal no nosso chocolate quente porque só depois de muuuuitos quarteirões (“nossa, que longe, cadê esse rio que não chega?”) percebemos que estávamos indo na direção errada. E pra completar estava ventando tanto que quando Nic abriu o mapa pra confirmar a direção, ele saiu voando (!) direto pro meio dos trilhos do bonde (!!!!!) e ficamos os dois lá morrendo de rir olhando nosso único guia ser levado pelo vento e em seguida atropelado.

Olha, eu adoro me perder em outra cidade e andar meio sem rumo, maaaas a situação muda quando está frio pra caramba, um vento tão forte que me empurrava (sem exagero!) e um namorado que já começava a mostrar os primeiros sintomas da virose punk que se encubava dentro da gente. Mas foi legal, acabamos passando por lugares que não estavam nos planos  (#thaisotimista) como um dos últimos portões da antiga muralha medieval da cidade ainda de pé, o Severinstorburg.

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E também o complexo de edifícios modernos num inusitado formato de guindaste (Kranhauser), para homenagear o bairro onde se encontrava o antigo porto de Colônia (Rheinauhafen).

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Agora que já estávamos localizados de novo, fomos arrastados pelo vento até chegar ao Museu do Chocolate (Schokoladenmuseum), na parte sul da cidade velha/Altstadt, que mostra todo o desenvolvimento dessa iguaria maravilhosa através do anos.

O edifício em forma de navio ancorado no rio é bem interessante, mas em compensação o mercado de natal da área era super sem graça. Assim, num nível toldos brancos vendendo coisas sem sentido e árvores de natal esmilinguidas jogadas num canto. E acho que foi uma ótima ideia ter começado por esse mercado sem noção, só fez os outros ficarem ainda mais incríveis quando cheguei neles. xD

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De lá seguimos pra minha parte preferida em qualquer cidade européia que visito: as ruelas e vielas apertadas com piso de pedra e pintura descascando da cidade antiga. Eu amo, amo, AMO uma velharia arquitetônica, e também é na cidade antiga que se encontram as principais atracões turísticas (oi, Catedral de Colônia!), museus, restaurantes etc.. Afinal de contas foi ali que a cidade surgiu, são as ruas que ficavam dentro da muralha que protegia as cidades medievais e onde tudo acontecia.

DSC_0043Orla do Reno com a Gross St. Martin Kirche ao fundo!

Mas por ser de fato a alma e coração da cidade, a cidade antiga é alvo de todos os ataques possíveis e imagináveis. Infelizmente 90% da Altstadt foi destruída durante a Segunda Guerra e o que vemos hoje em dia foi construído depois da guerra – o que não significa que não sejam igualmente importantes e charmosas, na minha opinião.

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As construções do centro de Colônia, assim como em Zurique, também são cheias dessas “placas” de ferro retorcido nas lojas e restaurantes, a maioria simbolizando sem usar palavras o que eles vendem/servem no estabelecimento. Resquícios de um tempo onde a maior parte da população era analfabeta e tinha que se basear nos desenhos pra saber aonde ir, e ver essas tradições preservadas é uma das coisas que mais gosto por aqui.

Quem já visitou Londres sabe que todos os pubs tem essas placas com seu nome “traduzido” em desenhos, que podem até formar frases bem complexas, me divirto tentando adivinhar o que diabos eles querem dizer ahaha

DSC_0051O trenzinho natalino que conecta os mercados de natal da cidade

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Eu estou pulando propositadamente os mercados de natal da Altstadt que vimos nesse dia pra deixar todos num post separado (overdose de pisca-pisca e árvores de natal!!!!), então aqui vão as fotos dela, a atracão turística mais famosa de Colônia e uma das mais visitadas da Alemanha: Kölner Dom, a Catedral de Colônia!

A construção dessa catedral gigantesca começou em 1248, mas entre idas e vindas só terminou no final do século XIX depois de passar uns 400 anos (!!!) parada. Isso sem contar no período em que, para o desespero dos fiéis, a catedral serviu de depósito de armas para as tropas de Bonaparte. Quando ela finalmente foi concluída em 1880, pelo menos pôde desfrutar do posto de edifício mais alto do mundo por uns anos..

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A catedral tem 157 metros de altura e suas torres são as segundas maiores da Europa, perdendo apenas para as de Ulm, também na Alemanha. E foi construída por um motivo nobre, para abrigar os supostos restos mortais dos Reis Magos que teriam sido encontrados em Constantinopla e foram passando de mão em mão até parar com o arcebispo de Colônia oito séculos depois.

Desde então a cidade virou ponto de peregrinação e, como construir um relicário de ouro, prata e jóias pra guardar os restos mortais aparentemente não era o bastante, a Igreja resolveu construir a catedral para abrigar o relicário.

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O interior da catedral gótica impressiona, mas depois do tamanho gigantesco acho que o detalhe que mais impressiona os visitantes é seu aspecto sujo. Mas também pudera, a catedral foi bombardeada em ataques aéreos nada mais nada menos que 14 vezes durante a Segunda Guerra Mundial – só o fato dela ter ficado de pé enquanto o resto da cidade se resumia a cinzas é praticamente um milagre.

E como toda a cidade ficou em chamas e destruída por um período muito longo, a sujeira e cinzas ficaram encrostadas na catedral e apesar do trabalho constante de conservação, ela provavelmente não voltará a ser limpinha e branquinha como antes.

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A poluição também não colabora em nada, e imagina ter que limpar um edifício tão gigantesco e cheio de detalhes em pedra, buraquinhos, curvinhas e pedacinhos. Teriam que limpar a catedral permanentemente, quando terminassem de limpar duas fachadas a primeira já estaria suja de novo.

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Só agora percebi que não tenho uma foto da Relíquia dos Reis Magos, mas é aquele pontinho dourado brilhante no fundo do altar xD #blogueirafail. E abaixo, o vitral levemente polêmico instalado em 2007, que substitui o vidro liso que fechava a janela desde que a catedral foi atacada na Segunda Guerra. Criado pelo artista alemão Gerhard Richter contrariando toda a tradição de contar historias bíblicas ou fatos importantes da Igreja por meio de desenhos, o novo vitral é simplesmente uma arte moderninha pixelada.

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Um tapete de 11.500 quadradinhos em 72 cores diferentes organizados de forma aleatória, que se destaca entre todos os outros vitrais por não ser nada religioso e eu simplesmente amei! Ao contrário do arcebispo, é claro, que dizem nem ter ido na inauguração do vitral de tanto que ele adorou a ideia.

Dependendo da hora em que você visita a catedral, da época do ano e da posição do sol, o efeito muda e ele tem sido apelidado de “sinfonia de luz” pelo caos incrivelmente belo que a luz causa ao passar pelo vidro. Eu já disse aqui que tô ficando “acostumada” com catedrais e construções imponentes, mas a Kölner Dom me surpreendeu de novo e uma das razões foi esse vitral!

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E o seu tamanho, claro.. Principalmente quando parei pra ler o que tinha escrito nessa “escultura florida” em frente à catedral, e descobri que além de ser o símbolo do final da construção em 1880, é uma réplica em escala real dos florões nas torres da catedral. Aí você aperta os olhos pra procurar e contar os tais florões na catedral, aquelas coisinhas beeeem pequenas lá no alto, e ao comparar com o tamanho desse na sua frente finalmente entende a dimensão gigantesca daquela construção.

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Depois de visitar a catedral e os mercados de natal Nic já estava se sentindo bem pior, então fomos descansar no hotel e só saímos pra uma última volta no mercado de natal da catedral à noite, pra ver tudo iluminado. E aí acabou nosso turismo feliz em Colônia – sim, durou apenas um dia. Passamos a noite inteira acordando com dor pelo corpo, febre etc e no domingo amanheci acabada.

Sério, nunca tive uma gripe/virose como aquela. Veio sem dar nenhum aviso ou sintoma e tudo doía TANTO, era uma febre esquisita com uma tontura tão forte que eu achei que fosse morrer (nada dramática ahahaha)! Só fizemos o check-out no domingo aos 45 do segundo tempo, fomos comer qualquer coisa e ficar sentados sentindo dor e passando mal na estação central, do lado da catedral. Nosso voo só saia de Colônia depois das 9 da noite, a essa altura era meio-dia e não agüentávamos fazer nada – andar, visitar museu ou igreja era tarefa impossível, então nos mandamos pro aeroporto pra esperar lá.

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Sim, esperar 8 horas no aeroporto tremendo de febre. Foi um dos piores momentos da minha vida, eu me sentia completamente desesperada e em pânico sabe? Uma sensação muito esquisita, acho que a febre estava subindo tanto que eu já tava delirando a ponto de chorar e nem o remédio dava conta.. E coitado de Nic, eu reclamava e implorava pra ele fazer alguma coisa (oi? ahaha) sendo que ele também estava doente e já tinha comprado comida, remédio, água, não tinha muito o que fazer pra me ajudar..

Fiquei deitada nas cadeiras do aeroporto tentando cochilar enrolada em todos os casacos e cachecóis que tinha, a febre passava por uns minutos e eu ficava com calor, tentava cochilar de novo e o frio e a febre voltavam. Tudo isso em desespero porque ainda faltavam 5h pro voo pra Londres e mais um bom tempo no trem/metrô pra voltar do aeroporto na casa do caralho de Stanstead. Quando finalmente chegamos em casa depois de um dia inteiro de dor, febre e frio já era quase meia noite, e até hoje não sei como cheguei sem desmaiar.

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E assim acabou minha passagem por Colônia. Só não culpo a cidade pelo meu sofrimento porque não é possível que eu tenha contraído e encubado aquele super vírus em um dia que passei lá, mas confesso que (pra alegria de Nic!) eu tô traumatizada e prefiro dar um tempo antes de voltar a pisar na Alemanha.

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