Blue, the most human colour

Tristeza é uma coisa séria, né minha gente? Vem toda sorrateira e quando você menos espera vrá, já te pegou e te jogou no chão. Faz uns dias que tô nessa melancolia e olha, nem eu me aguento mais (inclusive basta ver que eu sumi do Snapchat pra saber que tem algo de errado acontecendo, olha o nível do vício). Pra contextualizar: há apenas 5 dias eu estava feliz e sorridente a ponto de dar pulinhos na rua, mas aí veio o final de semana…

Peguei uma gripe dos infernos, estava sozinha (Nic está viajando e só chega daqui a uns dias), com a casa bagunçada e eu com tanta dor na cabeça/garganta/corpo que não conseguia nem tomar um banho (quanto mais tirar as tralhas do chão), uma geladeira vazia (obviamente a pessoa que vos fala não conseguia levantar do sofá pra ir comprar comida ou remédio), e tudo só piorou na segunda quando fui trabalhar e rapidamente me lembrei de como as coisas estão maçantes por lá. Pra resumir, parecia que era fracasso em todas as esferas da vida, não queria falar com ninguém pra não contaminar o dia das pessoas (mas secretamente estava com raiva porque ninguém me trazia uma sopa, veja só a coerência), abusada porque se morresse num ia ter nem quem notasse rapidamente, nem pensar no casamento estava me animando. Sabe quando você já tá tão pra baixo que até as coisas boas viram algo torturante? Pronto, eu já estava naquela fase “mas qual o propósito de casar se depois a gente vai morrer mesmo?!”

DSC_0193Vida: não é sempre esse tipo de blue

Quando tudo acontece assim ao mesmo tempo fica difícil não dar ouvidos àquela vozinha lá dentro da cabeça, aquela que fica falando besteira e te puxando pra baixo o tempo inteiro. Quem já teve depressão vai saber bem do que eu estou falando, mas acredito que todo mundo tem essa voz na cabeça e a única diferença é nossa habilidade de controlar a danada. Só que pelo menos pra uma coisa esses momentos servem: quando o lado negativo vence e você está na merda triste, dá pra ter uns insights importantes sobre a vida e o que você está fazendo dela. Coisas que quando tudo está bem (ou pelo menos minimamente aceitável) a gente não pensa, vai seguindo a vida no piloto automático sem muitos questionamentos existenciais.

Um exemplo: a vida profissional. Me formei sem saber com o que queria trabalhar, me mudei pra Londres pra estagiar, faz 3 anos que trabalho no mesmo lugar e – surpresa! – continuo sem saber o que eu quero fazer da vida. E nem tô falando “o que eu quero pro resto da vida” não, eu não sei o que eu quero fazer nem pros próximos cinco anos! Não que isso seja exclusividade minha porque sei que acontece com muita gente, mas cheguei aos 25 anos e ainda estou tão longe da tal estabilidade profissional (numa carreira que eu nem sei qual é!) que puts, bate um desânimo. Dá medo de chegar aos 40 e ainda não saber, ou pior, de descobrir essa carreira aos 45 do segundo tempo e ver que não dá mais tempo. Que agora tem que se conformar com o que tem pra hoje e ficar naquilo mesmo.

Outra questão que aparece nesses momentos é a falta de propósito, esse vazio existencial que acredito que todo mundo sente de vez em quando, em maior ou menor grau. Há uns dias vi um vídeo da Liliane Prata sobre o assunto (adorei o termo “catarrinho ontológico” ahaha) e fiquei com aquilo na cabeça, hoje fui parar numa palestra da Marcia Tiburi falando sobre a dor da existência e também indico bastante o vídeo… Assistir ou ler sobre não vai me fazer chegar a nenhuma conclusão, mas só de pensar sobre esse vazio, reconhecer que ele existe, que é normal, e que talvez esse eterno não saber faça parte da condição humana, faz diferença.

Viver e ser feliz no piloto automático não me preenche – eu preciso falar sobre a vida e a morte, sobre o sentido disso tudo, sobre experiências que nos marcam, sobre sentimentos, ideias e sonhos. Talvez seja esse o meu “sentido”, viver analisando, participando e sentindo tudo intensamente, feliz demais ou inquieta demais, mas nunca apenas como uma espectadora. Engraçado que escrever esse post sem pé nem cabeça me fez sentir melhor mesmo sem ter chegado a lugar nenhum. E por sinal, qual o motivo dessa nossa obsessão em chegar a um lugar ou ter um resultado útil pra todas as coisas, hein? Alguém que lê o blog também se pega pensando nessas coisas de vez em quando? Como você lida com momentos melancólicos, a loucura que é existir e esse não saber pra onde ir?

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