Off To Winchester – 1 dia na antiga capital da Inglaterra

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Sim, tem projeto novo na área!! :-) Como se não bastasse ter a ideia de lançarmos um guia colaborativo, há uns 2 meses estávamos bebendo cider e comemorando o verão na casa da Helo quando ela propôs: e se a gente fizesse um projeto para divulgar passeios fora de Londres?! Na hora eu, Karine e Liliana topamos, afinal tem tanta coisa linda na Inglaterra que sair de Londres por um dia e se aventurar por outros lugares deveria estar no roteiro de todo turista.

Em poucos dias já tínhamos um nome pro projeto, um destino escolhido e passagens de trem compradas. E assim nasceu #OffToWinchester, o primeiro de muitos passeios pela Inglaterra que serão documentados na nossa hashtag #OffTo!

A ideia é mostrar como é simples explorar o país a partir de Londres, sugerir cidades lindas para você incluir no seu roteiro e dar dicas preciosas do que visitar, onde comer, quanto custa, como chegar… Para isso, sempre que possível vamos contar com o apoio da secretaria de turismo das cidades, como aconteceu em Winchester onde nos disponibilizaram um mini tour guiado pela cidade, ingressos para visitar a catedral e um tour no Great Hall.

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As plaquinhas são oferecimento de Karine entediada na madrugada xD

Agora sem mais delongas, assim foi o nosso dia em Winchester:

Saímos da estação de Waterloo pouco depois das 9h, torcendo pro tempo virar e o sol aparecer… Como pensamento positivo nem sempre dá certo, pouco mais de 1h depois chegamos em Winchester e lá também estava chovendo. Tudo bem, vamos provar que a cidade é linda mesmo debaixo de chuva!

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Nos esperando na estação estava nosso guia, David, um expert na história da cidade e parte da equipe do Visit Winchester (tours guiados podem ser agendados direto pelo site deles). Muita gente não acha necessário pagar por um tour, mas em cidades onde a principal atração é a história do lugar eu recomendo demais! A experiência ultrapassa o “que lugar bonito, vou tirar uma foto” e fica muito mais rica quando entendemos o que aconteceu naquele lugar, como ele mudou ao longo dos séculos, quais figuras ilustres passaram por ali, a importância que teve para a história local ou até mesmo mundial…

Começamos nosso mini tour em Peninsula Barracks, onde ficam alguns museus militares como o Gurkha Museum, HorsePower Museum, The Royal Green Jackets Museum e The Royal Hampshire Regiment Museum. Confira no site do Visit Winchester o preço e horário de funcionamento de cada museu.

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Nosso guia disse que a intenção era construir no local um palácio grandioso com o de Versalhes, com jardins trabalhados, fontes, passeios e vistas magníficas. O Rei Charles II contratou Cristopher Wren (o arquiteto responsável pela reconstrução de inúmeros prédios em Londres depois do incêndio de 1666) para projetar a King’s House, que iria se estender até a Catedral de Winchester, mas depois da morte do rei a construção não foi pra frente e um incêndio acabou destruindo o que já estava pronto…

Saindo da praça passamos rapidamente pelo Great Hall (uma atração para mais tarde!) e seguimos em direção ao Westgate, o único dos 5 portões medievais originais da cidade ainda de pé.

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O portão também foi utilizado como prisão (ainda dá para ver as mensagens dos presos gravadas na parede de pedra e no chão), e hoje em dia abriga um pequeno museu com entrada gratuita.

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Se não estiver chovendo, não deixe de subir no terraço pra ter uma vista da rua principal da cidade, a mais antiga high street (rua comercial) da Grã-Bretanha!

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Toda cidadezinha britânica tem uma high street pra chamar de sua. Geralmente é a rua ao redor da qual a cidade cresceu, onde ficavam as lojinhas centenas de anos atrás e onde atualmente se concentram cafés, bancos, comércio, restaurantes, mercados no fim de semana… A rua principal de Winchester é uma fofura, acabamos voltando para um café antes de pegar o trem :-)

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Aliás, Winchester inteira parece saída de um livro de história ilustrado! A capital do condado de Hampshire, no sul da Inglaterra, foi fundada pelo romanos, posteriormente dominada pelos anglo-saxões e quase conquistada pelos vikings. Nessa época a Inglaterra ainda era dividida em quatro reinos independentes, e Wessex (cuja capital era Winchester) era governado por Alfred O Grande. Alfred foi responsável por desenvolver uma estratégia militar que resultou na expulsão dos vikings, e quando eles tentaram novamente atacar Wessex ele conseguiu negociar um acordo com os invasores, dividir a Inglaterra e posteriormente reconquistar Londres, que tinha ficado no território dos vikings.

Não é a toa que Alfred foi o único rei inglês a receber o título de ‘O Grande’ – além de um importante líder militar e político ele também era um estudioso que encorajava a população a aprender a ler, reuniu diferentes conjuntos de leis para criar o Doom Book, e ainda teve um papel essencial no processo de unificação dos reinos que resultou na Inglaterra que conhecemos hoje.

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Depois de Alfred muitos reis passaram pela cidade e muitas outras batalhas marcaram sua história. Winchester foi a capital da Inglaterra até o século XIII e testemunhou tantas reviravoltas que seria impossível contar tudo aqui, incluindo vários períodos sendo assolada pela peste negra, uma guerra civil, séculos de muita prosperidade e também declínio, eternizados na arquitetura da cidade.

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Continuamos nosso tour passando pela frente da Catedral de Winchester, mas como também tínhamos ingresso para entrar mais tarde seguimos direto em direção às ruínas do Wolvesey Castle. Mas não sem antes parar rapidinho em dois lugares pelo caminho: Kingsgate, o antigo portão do palácio real (construído por Guilherme, O Conquistador, para garantir seu domínio depois de invadir a cidade no século XI). A principal atração de Kingsgate é a igrejinha medieval de St Swithun-upon-Kingsgate, que fica bem em cima do portão.

winchester_103 winchester_90A capela é dedicada a São Swithun, antigo bispo de Winchester e santo padroeiro da catedral cidade

…E a poucos metros de Kingsgate fica a casa onde Jane Austen passou seus últimos dias de vida, na College Street. Winchester é um lugar importante para fãs da escritora inglesa porque além de ser onde ela morreu também é onde Jane Austen foi enterrada, dentro da Catedral de Winchester.

winchester_91winchester_140Infelizmente a casa não está aberta para visitação

A última parada do tour foi o Castelo de Wolvesey, ou na verdade o que sobrou dele…

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O castelo foi construído pelo bispo Henrique de Blois, irmão do Rei Stephen/Estêvão e foi a residência oficial dos bispos de Winchester durante a Idade Média. O último evento importante que aconteceu no Wolvesey Castle foi a festa de casamento da Rainha Mary com Philip (Maria I da Inglaterra e Filipe II de Espanha) em 1554, e o castelo acabou sendo destruído durante a guerra civil em 1646… Ao lado das ruínas fica a atual residência do bispo, na parte que restou de um palácio do século XVII.

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Depois de acompanhar mais alguns séculos de história (ouvindo a minha barriga roncando pensando no tal banquete de casamento da rainha), o tour acabou e era a hora do almoço. Fizemos reserva no pub The Wykeham Arms por recomendação da secretaria de turismo de Winchester e de cara já vimos que foi uma ótima escolha!

O pub é um dos mais tradicionais e bonitos que eu já vi, cada ambiente tem uma decoração diferente com um milhão de quadros, canecas, brasões e cacarecos em geral pendurados pelas paredes. Pedi um fish’n’chips delicioso e de sobremesa roubei metade do brownie com sorvete que a Lili pediu – saímos praticamente rolando e felizes da vida, o pub está mais que recomendado :-)

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Assim como em outros pubs tradicionais, no primeiro andar o Wykeham Arms também funciona como pousada

A última parada do post é no Great Hall, o salão principal do Castelo de Winchester e a única parte que sobreviveu à guerra civil. O castelo foi fundado em 1607 por Guilherme, O Conquistador, sendo ampliado e modificado ao longo dos anos por seus habitantes ilustres.

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O castelo abrigava a sede do tesouro público e outros importantes órgãos do governo, e foi apenas no século XIII que o Rei Henrique III, nascido no castelo, mandou construir o Grande Salão. Palco de muitos julgamentos e eventos, hoje o Great Hall é mais conhecido por um objeto ilustre: a suposta Távola Redonda do Rei Arthur.

winchester_44winchester_49winchester_48Rainha Elizabeth II e Rainha Victoria

A verdade é que ninguém sabe se o Rei Arthur realmente existiu, se seus lendários feitos são o conjunto do trabalho de diferentes homens em diferentes partes do reino, e muito menos se, caso existisse, ele realmente tinha uma mesa redonda onde sentava com seus cavaleiros. A famosa Távola Redonda seria inovadora porque não fazia distinção entre cavaleiro nenhum, todos eram igualmente importantes perante o rei.

winchester_115winchester_45Os portões à la Game of Thrones foram instalados para comemorar o casamento de Charles e Diana

Infelizmente a mesa redonda pendurada no Great Hall não é prova de que o Rei Arthur existiu: a madeira data “apenas” do século XVIII, enquanto as histórias do rei são do século VI, e para complicar ainda mais a situação a pintura só é da época do Rei Henrique VIII lá em meados do século XVI.

E uma curiosidade: não satisfeito em ter a suposta távola em casa, Henrique ainda mandou pintar a rosa símbolo da dinastia Tudor no centro da mesa e seu próprio retrato disfarçado de Rei Arthur no topo. Ou seja… Como levar a sério uma criatura dessas né minha gente?! ahahah

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Mas mesmo sem ser a mesa real do Rei Arthur verdadeiro, é muito legal estar frente a frente com um objeto tão simbólico e que aparece em tantas histórias, livros, filmes… Impossível não torcer pra no fundo todo mundo estar errado e a mesa ser de verdade! O Great Hall fica aberto das 10 às 17h e tem entrada gratuita (é sugerida uma doação de £3 por pessoa).

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Terminamos nosso passeio nas margens do rio Itchen, encantadas com o tanto que aprendemos e atrações que visitamos em um único dia. Eu já tinha ido a Winchester ano passado para conhecer o mercado de natal e tinha visto um pouco da cidade, mas ter feito o tour dessa vez fez muita diferença. Espero que eu tenha conseguido transmitir pra vocês um pouco do que essa cidade tão rica tem a oferecer!

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Com trens saindo de Londres a cada 10-15 minutos, passagens relativamente acessíveis (£35 ou bem menos quando comprando em grupo/com antecedência pelo site Trainline) e tanta coisa pra ver, não tem desculpa para não incluir Winchester no seu roteiro pela Inglaterra. Só lembra de depois nos contar o que você achou e postar muitas fotos usando #OffToWinchester ok? :-)

Obrigada ao Visit Winchester e Visit Hampshire pelo apoio nessa primeira etapa do projeto #OffTo. Clique para ver as fotos que postamos em tempo real na hashtag #OffToWinchester e os relatos das minhas companheiras de projeto Helo, Liliana e Karine.

P.S. Mas Thaís, cadê a Catedral de Winchester?! Não, eu não esqueci dela, mas o ponto alto do passeio merece um post à parte!

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