Blood Swept Lands and Seas of Red

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Para marcar o centenário do início da Primeira Guerra, uma instalação bem diferente do que já foi feito aqui em Londres foi montada na Tower of London, e já faz umas semanas que a Blood Swept Lands and Seas of Red virou a “atração turística” mais concorrida de Londres. A obra de arte gigantesca foi idealizada por Paul Cummins, artista conhecido por seu trabalho com cerâmica, e a disposição das flores foi feita pelo set designer Tom Piper que trabalha nada mais nada menos que na Royal Shakespeare Company.

São 888.246 papoulas de cerâmica feitas delicadamente à mão e “plantadas” diariamente com toda cerimônia ao longo de 14 semanas, mas ainda mais bonito que a obra em si é o significado que ela carrega: relembrar e homenagear cada uma das vidas de cidadãos britânicos perdidas no conflito. 888.246 flores, 888.246 pessoas, oitocentos e oitenta e oito mil, duzentos e quarenta e seis mortos.

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Consegui visitar a #TowerPoppies algumas vezes desde que a primeira flor foi plantada no começo de Agosto, e toda vez o arrepio na espinha e o aperto no peito era o mesmo. Porque imaginar 888.246 vidas perdidas (e de apenas uma nação! Nem se continuassem plantando papoulas com essa mesma freqüência por mais 4 anos, até o aniversário de 100 anos do término da guerra, seria o suficiente para representar as pessoas que morreram no conflito juntando todos os países!) é uma coisa..

Outra completamente diferente e um milhão de vezes mais impactante é olhar para cada uma daquelas flores e pensar em quantas famílias foram atingidas e vidas destruídas por causa da guerra. Cada uma daquelas flores tinha pai, mãe, irmão/irmã, marido/esposa, amigos, medos, paixões, sonhos e planos pro futuro, que não tiveram a chance de realizar.

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Hoje, no Remembrance Day e Dia do Armistício, a última papoula foi plantada no fosso da torre, enquanto o país inteiro fazia os tradicionais 2 minutos de silêncio de todo 11/11, às 11h da manhã.

Mas o engajamento da população esse ano está ainda maior, são bem mais pessoas na rua usando poppies no casaco, nas casas e até nos black cabs, as doações para as instituições de caridade que ajudam os afetados pelas guerras aumentaram, e MUITA gente de todas as idades e países está visitando a instalação.. Achei lindo a quantidade de velhinhos fazendo todo esforço do mundo e indo lá mesmo com muletas, cadeira de rodas e deixando sua homenagem pra parentes e amigos perdidos na guerra.

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Visitar a Torre de Londres estava praticamente impossível nessa última semana, mas desbravei a multidão uma última vez sexta passada com Amanda e Weslley. As flores começam a ser retiradas amanhã, apesar de toda a campanha do público pra que elas fiquem mais um pouco, e serão enviadas para quem comprou a papoula pelo site do projeto (parte da venda era revertida para 6 instituições, e eu estou me chutando de raiva porque fiquei adiando e quando fui comprar já estavam esgotadas >_<).

Tanto a ‘Weeping Window’, a cascata saindo da janela, quanto a ‘Wave’ ficarão expostas até o fim do mês na Torre de Londres e depois disso seguem em exibição por outras cidades do Reino Unido por quatro anos, antes de virar parte integrante do Imperial War Museum em Londres e Manchester.

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É uma visita obrigatória para quem mora em Londres, estará na cidade nos próximos dias (já que vai levar um tempo para desmontar tudo) ou pra quem vai vir ao Reino Unido e passar por alguma das cidades contempladas pela exposição. Definitivamente, Blood Swept Lands and Seas of Red foi a coisa mais linda e tocante que já vi aqui em Londres, e estou curiosa imaginando como vão superar uma demonstração tão incrível para comemorar os 100 anos do final da guerra, em 2018.

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