Ano novo na London Eye!

Eu tô pra ver um programa em Londres que divida mais opiniões quanto a queima de fogos do ano novo. Quem acabou de chegar na cidade fica mega empolgado com a ideia (ou tipo meus pais, acharam tão chique que parece que eu tinha sido convidada pra um chá no palácio ahah), mas os nativos sempre me mandavam um “nossa, que coragem” ou então “credo, deus me livre” quando eu falava dos meus planos pra virada.

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Mas pudera, ano passado 500 mil pessoas (!!!) apareceram pro show – e quem conhece Londres sabe que no pedaço da orla mais disputado (Queen’s Walk/Westminster Bridge/Victoria Embankment), com vista pra London Eye e o Parlamento não caberiam 500 mil pessoas nem que derrubassem os prédios.

A ideia de chegar às 2 da tarde pra garantir um lugar bom (e depois ficar passando frio e com vontade de fazer xixi!) em meio a essa multidão não me agradou tanto, então passamos a virada do ano passado na ponte de trás, a Lambeth Bridge. Como a gente mora pertinho foi bem tranquilo, saímos de casa depois das 23h e ainda conseguimos lugar no meio da ponte, maaassss como dá pra ver no final desse post a vista não é assim a coisa mais maravilhosa do mundo.

Então esse ano veio o anúncio inusitado: os fogos do ano novo seriam pagos. E foi aquela revolta, bafafá nos jornais porque o evento deveria ser acessível para todos, políticos aproveitando a deixa pra criticar o prefeito como se ele fosse embolsar todo o dinheiro..

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Mas a verdade é que eu achei uma ideia maravilhosa. Tão maravilhosa que estava fazendo plantão no site pra garantir nosso ingresso assim que as vendas abriram em setembro.

Claro que um evento desse tipo deveria ser público (como é no resto do mundo), e na teoria seria maravilhoso se todas milhões de pessoas que moram em Londres pudessem assistir à queima de fogos, mas a vida real é bem diferente da teoria né gente. Eu fico imaginando o tanto de tragédia que pode acontecer num evento desse porte 100% aberto, a pressão em cima dos policiais para garantir que tudo corra sem problemas, o transtorno pra quem mora na área e não pode sair de casa etc. £10 parecia um preço justo a se pagar por um evento mais seguro e mais tranquilo, só faltava saber como seria.

100 mil ingressos foram colocados à venda e esgotaram rápido, mas em dezembro teve um período de “repescagem” em que os ingressos cancelados eram liberados no site e segundo Karine foi um parto pra comprar. Mas ela conseguiu, e estávamos animadíssimas pro que até então era classificado como o maior programa de índio na terra da rainha.

A organização

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A orla do Tâmisa foi dividida em três áreas: Norte 1 (de Westminster Bridge até Embankment), Norte 2 (a partir de Embankment) e Sul, os únicos trechos da área com vista desimpedida da London Eye. No mapinha do começo do post dá pra ver o tamanho do drama, agora imagina 500 mil pessoas lutando por um espaço nessas poucas ruas?

Os ingressos chegaram aqui em casa semanas antes, junto com uma carta levemente assustadora informando a hora do fechamento das ruas (a partir das 2 da tarde a área azul já tinha sido fechada) para carros/ônibus.

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Quando vi esse mapa e a sugestão de horário de chegada no meu ingresso (até as 21:30) deu muita raiva, achei que com a venda dos ingressos daria pra chegar às 11 da noite tranquilamente ahaha! Mas enfim, no dia do evento descobrimos que o meu portão de entrada era por Westminster e o de Karine pela Trafalgar Square, então ficamos de nos encontrar lá dentro. Dêem uma olhada no post dela porque nossa experiência foi completamente diferente, ela pegou uma fila terrível que ia até o Palácio de Buckingham mas na entrada de Westminster tudo eram flores.

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Fomos andando até o local e na frente da Lambeth Bridge (que já estava bem cheia por volta das 9!) a rua estava fechada, só passava quem tinha ingresso. Ao longo do caminho até a Praça do Parlamento tinham mais uns dois pontos de inspeção pra garantir que ninguém sem ingresso chegasse nem perto do local, e ao lado do Parlamento tinha um grupo TÃO pequeno de pessoas no portão de entrada que eu nem acreditei na nossa sorte. Acho que não passavam de 60 pessoas, a fila andando rápido e muito espaço do lado de dentro.

Não sei qual foi o critério para a divisão das entradas, se os ingressos vendidos primeiro tinham direito à “melhor entrada” ou se fomos alocados pra Westminster porque moramos perto, mas foi surrealmente tranquilo. Já tinha muita gente dentro, mas MUITO espaço vazio: deu pra escolher exatamente onde queríamos ficar (bem na frente, claro!!!), andar pelas redondezas tirando umas fotos, descolar um pedaço de calçada pra sentar e ficar jogando pro tempo passar.. Acabamos esperando pouco mais de 2h e não foi nada trágico, mas depois de ver como foi fácil eu arriscaria chegar perto das 11 se minha entrada fosse Westminster de novo!

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Também tinha uma DJ tocando e falando com a galera pra tentar animar, mas ninguém dava muita bola e queria mesmo era que os fogos aparecessem, e aí finalmente chegou a hora! Eu já tinha desistido de encontrar com Karine porque a ligação nunca completava, não tinha sinal 3G e nenhum jeito de acha-los, só depois vim saber depois  que enquanto eu me preocupava achando que ela ainda tava na fila ela já tinha chegado perto e conseguido até entrar num barco (!!) ahaha

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Depois da contagem regressiva, o espetáculo de fogos mais maravilhoso que já vi na vida!! Uma variedade absurda de cores, efeitos e várias coisinhas fofas relacionadas com o trecho da música tocando, tipo corações e smiles quando mencionaram selfies ehehe.. Eram tantos que às vezes a London Eye desaparecia completamente.

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E foi tão maravilhoso, mas tão maravilhoso que não vou conseguir cumprir minha promessa de só passar pelo perrengue uma vez na vida (Nicolas morrendo ahaha)! Agora quero ver os fogos de outro ângulo, quem sabe de um barco, ou num cantinho da Praça do Parlamento bem longe da multidão onde dê pra levar o tripé e tirar fotos legais :-)

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Fiz até uns videozinhos que pra minha surpresa saíram com o foco bem ok apesar da minha mão tremendo, e viraram um vídeo pra cá (e pra quem quiser o vídeo profissa da BBC tem aqui). Depois dos fogos ainda teve show do Queen e mais um cantor do qual nunca ouvi falar, mas não conseguimos ver o palco em canto nenhum e a essa altura tudo o que a gente queria era sair do frio.

E mais uma surpresa: muito calmo pra sair também! Com a ocasional pessoa bêbada/vomitando/desmaiando no caminho, saímos do local bem rápido (os policiais desejando feliz ano novo, a coisa mais fofa!) e tipo 00:50 já estava devidamente quentinha de pijama na minha cama fazendo FaceTime com a família no Brasil :-)

Pra quem voltou pra casa de metrô deve ter sido mais complicado já que as estações imediatamente ao redor do evento fecham, mas tanto Victoria quanto St James’s Park são perto o bastante pra ir andando e em compensação o metrô funciona (de graça) a noite toda. E o veredito: o (novo) ano novo de Londres tá mais que aprovado e recomendado! Claro que não é a mesma energia do ano novo brasileiro, mas nem por isso deixa de ser especial. E eu quero é mais, enquanto estiver morando pelo centro – e depois, se conseguir convencer o boy a vir de longe pra assistir #duvido – com certeza voltarei!

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